sexta-feira, 26 de agosto de 2016



Porra!

Antunes Ferreira

P
orra! Permitam-me um desabafo pessoal mas tenho de descomprimir e contar o pesadelo por que vou passando. Conto, como sempre, com as vossas paciência, benevolência e aceitação. Enquanto que para Cristiano Ronaldo 2016 é o melhor da sua vida profissional, para mim é um ano esfarrapado. Não é, no entanto, o horribilis de Isabel II (que teima em sobreviver), mas realmente é esfarrapado. Se não veja-se o que me tem acontecido desde o dia 1 de Janeiro, o que prova o que anteriormente enunciei: e-s-f-a-r-r-a-p-a-d-o! Não acreditam? Eu conto e depois me dirão se tenho ou não tenho razão. Desculpem-me a chatice que vos dou.

Sem legenda


A

penas chegados a Goa tivemos, a Raquel e eu, a dolorosa noticia dada pelo Miguel, o nosso primogénito, de que a Bebé, a Maria Gabriel, falecera. Estava internada no Pulido Valente com um cancro nos pulmões – fumava mais do que uma chaminé de central a carvão para produzir electricidade. E além disso carregada de metástases por tudo o que era corpo.  Toda a gente a tinha avisado; parava, mas mal o anunciava, já estava a recair no cigarro. 

E
ra muito mais do que nossa irmã; era nossa Amiga. Durante quarenta anos. Em muitas situações, algumas graves, estava sempre presente para nos ajudar e amparar. Comia aos sábados colectivos connosco, era mais uma da nossa família. Viúva aos 26 aos de um Amigo excelente desde os tempos em que jogávamos râguebi nunca voltara a casar. Fora militante do MRPP, mas o tempo “curara-a”. Completara 62 anos.

T
ínhamos ido visita-la antes de partirmos; bem ao contrário de muitos maus dias, estava bem-disposta, não se sentia abafada e o médico aquando da visita diária, dissera-lhe que lhe daria alta. Logo que entrámos no apartamento de Miramar, nossa habitual pousada em Goa, a Raquel telefonara-lhe para saber como passara a noite. Excelente, o médico quer-me amanhã em casa. No dia seguinte foi o telefonema do Miguel: morrera durante a noite, sufocada.

Maldito cancro!


L
ogo como se fora uma rajada, menos de um mês passado, recebia por imeile uma desgraçada informação: falecera também de cancro o meu vogal no Conselho Fiscal da ANACOM, a que presido, e também meu bom Amigo José Vieira dos Reis ex-bastonário da Ordem dos Revisores de Contas que eu ajudara a mudar para de Câmara passar a Ordem, OROC. E que depois do ministério das Finanças (eu estava num dos piores momentos da depressão bipolar) me levou a para a nova Ordem como assessor dele e chefe da informação. Mau! O ano prometia…

E
m Goa tudo corria (e felizmente correu) no melhor dos mundos. Regressámos a Lisboa e logo recomeçaram as chatices. Recebemos a triste notícia de que o Ion Floroiu, antigo embaixador da Roménia em Portugal e outro grande Amigo tinha partido (sei lá para onde) em Bucareste, vítima de mais outro cancro. Antes de partir para Panjim tínhamos ido durante duas semanas à capital da Roménia – coisa que há muito nos “pedia” – para passa-los com a família e estava tudo bem. Agora, reconhecíamos que fora como que uma despedida.

Pela Internet


P
orém, ainda teria de haver mais merdas.  Estávamos em falta na apresentação do IRS em comum, como sempre, porque estávamos em Goa. O Miguel fez-nos a declaração, também como sempre, através da Internet. As Finanças aceitaram-na. Simulação: tínhamos de pagar 747,86 euros. Melhor do que no ano anterior. Parecia que tinham desaparecido as nuvens negras que sobre nós pairavam.

M
as veio carta da Autoridade Tributária: havia qualquer coisa mal e tinha de me deslocar à Repartição de Finanças. Para além da multa, aliás coisa pequena, tínhamos de fazer duas declarações separadas. Resultado 2.867,06 euros!!!! Caiu-me tudo o que tinha pendurado aos pés. Já era pior do que o deus-me-livre. Tinha de pedir que o pagamento fosse em seis prestações sem juros, pois não tinha tais massas disponíveis. Ainda aguardo a decisão, mas parece que a solicitação foi deferida. Vá lá...

AVIS -  Mais uma acha para a fogueira


E
ntrementes, mais uma facada. O Miguel era há 26 anos director financeiro e administrativo da AVIS – Rent a car – e em 2011 fora considerado (e galardoado) o melhor da Europa nas suas funções. Mas os americanos tinham comprado a firma e começaram a moer o espírito do meu filho. Ao fim de quatro anos em que lhe “fizeram” a cabeça para ver se ele se demitia, pois já tinham eliminado quase todos os trabalhadores a começar pelo Director-geral de Lisboa, tinham-no considerado péssimo e sem mais aquelas demitiram-no.

A
os 52 anos um homem (e excelente economista) por cá é considerado “velho”. Ainda anda à procura de emprego sem grandes hipóteses, mesmo com a experiência de quem trabalhou mais de duas décadas e considerado sempre o melhor até virem esses pulhas americanos conluiados com outros pulhas – os espanhóis - que ansiavam fechar Lisboa e passar todo o serviço administrativo para Madrid.

Sem legenda


U
m homem não é de ferro. O meu primogénito anda descoroçoado. E eu como pai também ando. Mais uma machadada que levei. As coisas pareciam ter acalmado. Pura ilusão. O que viria a seguir – e veio – por inesperado, fez-me ter medo o que não me é vulgar até que... Nas picadas angolanas como oficial miliciano tive-o; um homem também não é de pau e não nasci para ser herói. Porra! Estou farto de 2016!

E
 agora vejo-me metido numa grande “alhada”.  Mais uma. Resumo: há umas semanas fui à minha médica de família que, depois de me ter observado cuidadosa e minuciosamente, pelos sintomas que eu apresentava disse-me que poderia ter Parkinson. Caramba! Como devem compreender, fiquei muito abananado, quase perdi a cabeça, enchi-me de receios e até pensei em abandonar a escrita – o que para mim seria fatal!

Medo...


A
té escrevi um imeile à Maltamiga a contar o que se passava, mas sem mencionar o nome da doença, o que motivou centenas – exactamente centenas – de resposta desejando-me as melhoras e solidarizando-se comigo. E proibindo-me de deixar de escrever! Malta bué da fixe!!!! Entretanto, com a ajuda de dois médicos meus amigos durante os primeiros cinco anos do Camões fui-me acalmando. Novos medicamentos tinham aparecido durante os últimos anos; com eles iria passar sem problemas até ao fim da vida. E indicaram-me neurologistas, para tirar dúvidas.

T
enho andado à procura de um deles, qualquer que seja, para tentar marcar já uma consulta ao que encontrar primeiro. Os meus amigos disseram-me que todos eram competentíssimos. Depois do diagnóstico final, iria saber o resultado. Mas, em Agosto, toda a gente vai de férias.  Devo, pois, de aguardar sem me enervar, não vá de novo aparecer a maldita depressão bipolar, Vade retro Satanás. Foram quatro anos de pesadelo que não posso nem quero repetir!

Péssima doença


E
 hoje (2016/08/24) quando estava a terminar este escrito, telefona-me o meu irmão Braz, (o único que agora tenho, pois o outro, João, há muitos anos dera um tiro na cabeça com a espingarda com que caçava elefantes em Angola…) a comunicar-me chorando, que acabara de saber que tem um cancro na próstata. Ele vive e tem escritório no emirado Ras Al Khaimah (EAU), como engenheiro consultor de cimenteiras. Que posso fazer daqui? Gaita! Claro que, mesmo assim, contactei o Vasquito, primo da Raquel (e meu) que vive no Dubai, e que logo começou a ampara-lo. Boa gente… (Agora (23:17 de 27 deste mês de Agosto chega-me a informação de que o meu irmão já está hospitalizado e já tem metástases no fígado e nos rins. Imagino-o na cama do hospital a pensar como a vida é filha da puta. Já terá dito que nunca mais nos vê, a nós e aos sobrinhos netos...) 

E
 agora digam-me se 2016 não é para mim um ano muito esfarrapado. Já chega. Como dizia um senhor numa telenovela brasileira: que mais me irá acontecer? Porém aqui chegado faço uma reflexão. Diz o ditado que não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe. E a esperança é a última a morrer. As nuvens negras vão desvanecer-se e o sol brilhará intenso. Tenho de olhar em frente e seguir o meu caminho. Com força e firmeza. Nada de fatalismos; nada de fados. A força da razão vencerá a razão da força (?) É com este espírito tão positivo quanto me é possível que termino esta crónica. Não esquecendo o que disse o marquês de Pombal. "O homem tanto pode que, mesmo depois de morto, ainda são precisos quatro para tira-lo da sua casa.."



(Aproveito o ensejo para agradecer do fundo do coração a todas e todos que me manifestaram a sua preocupação, a sua solidariedade, o seu apoio e a sua amizade; por isso deixo aqui um muitíssimo obrigado!)




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Uma nota, apenas:

Não sou rico, ou mais correctamente, não somos ricos, nunca recebemos heranças, nunca roubei nem especulei, nunca joguei a dinheiro, nunca fui à Bolsa - daí que vos informe que somos remediados – mas contamos os euros no fim de cada mês o que é uma chatice, pois nos fins de meses sobram dias e faltam as ma$$a$...

Por isso a indisponibilidade financeira leva a que nos não possamos ajudar como queremos o meu irmão Braz. As passagens aéreas (no caso de ele querer vir para cá…) são caras e assim não podemos ir lá. Ainda que se ocorrer uma emergência faremos o necessário – deixaremos que nos roubem os anéis, ficarão os dedos; e as poucas reservas de que dispomos têm de chegar para isso. Instalação cá - isso sim; a nossa casa (alugada) tem espaço suficiente.

Quando alguém vem ao nosso apartamento pode pensar que somos milionários e infelizmente não somos; é preciso informar que o recheio dela, aliás bonito, resultou do que ganhámos a Raquel e eu, são fruto do nosso trabalho tão honesto quanto possível. Quase tudo veio de locais diversos, dos países por onde passámos (eu principalmente em serviço; a Raquel era contabilista na TAP e daí os bilhetes “de cão” quase gratuitos que usávamos e algumas vezes por ano…)  Outros são de cá.


Não estou a fazer uma confissão; costumo dizer que fui católico mas curei-me. Estou apenas a dar uma informação que creio conjugar-se com o escrito. Perdoem-me por vos chatear, mas assim fico mais descansado. É uma catarse. Os Amigos também são para os maus momentos. Obrigado

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

PENSAMENTOS DE UM MÉDICO
Começamos hoje a publicar textos da autoria de Francisco Crespo, médico, meu colega até ao 5º ano do Liceu Camões e meu grande Amigo. Obrigado Xico. O escrito é “datado” mas tem de se compreender que não é de ontem. É de um “ontem” especial. A inserção dos artigos não terá regularidade: sempre que apareçam serão publicados. A NOSSA TRAVESSA fica enriquecida com esta colaboração e espera que as leitoras e os leitores a sigam com agrado. Muito obrigado. AF


As alternativas mais sérias

Francisco Crespo (*)

H
oje sábado ultimo dia de tamanho normal, antecâmara da maior noite do ano, aconteceu-me ter folga dos netos, para ir com o pensamento de mão dada, caminhando...

O Liceu Camões

N
a ausência dos ruídos, na “solidão aparente”, porque hoje a creche ficou por Lisboa. Como é hábito as companhias de sempre e novas vieram comigo... Ontem tive um jantar do meu curso do Liceu Camões. Foi um encontro excelente com os ex putos , em particular os que durante 7 anos regularmente saíamos do liceu, fazíamos uma paragem numa livraria perto do Saldanha (Liv. Cultura ), onde depositávamos as pastas no chão para continuarmos as “discussões” das vésperas( íamos discutindo o Universo ...)


H
avia de tudo, um comunista oculto, um monárquico de esquerda, um de extrema direita, um conservador mas não reaccionário, um progressista não amarrado, um mais calado que ainda não nos disse por onde voava e eu. Todos católicos menos o comunista.
Cultura ao Saldanha
O de direita temia que o pai fosse pendurado num candeeiro, se houvesse uma revolução (após o 25 de Abril telefonei-lhe ...não foi pendurado). Isto passava-se perto da casa do Marcelo Caetano, então Ministro de Salazar e tinha um policia à porta...  O dono da livraria pedia para termos cuidado...


C
uriosamente nenhum de nós mudou (eu perdi o Deus pelo caminho) e quando ontem lhes disse que tinha saudades de quando “discutíamos todo o Universo” um dizia –“ era isso! Hoje nem os crescidos confrontam ideias, olhem a estupidez com as intolerâncias por causa do Saramago”. Desta malta, dois somos médicos, dois professores universitários, um advogado, um militar e um licenciado em Direito. (Quase todos barrigudos...)


A
ssim recordando as discussões/reflexões, parti cismando sobre o Deus criador ou criado pelo homem? Dei comigo a pensar como é isto? O nada orgânico não existe. Será? Umm! Uma coisa é certa, anticlerical sempre fui e mantenho-me. Os Santos continuam lá, mas com os vendilhões do Templo sempre por perto do poder temporal... até tantas vezes contra os santos. Sou uma coisa estanha, cristão mas ateu! Para já…
O Ku Klux Klan


D
esde aquele tempo em que putos de calções, não tínhamos T.V., na América o Ku Klux Klan matava pretos,  a maioria das mulheres eram “escravas” de tudo,  não havia divórcio, as mulheres casadas só podiam sair do país com autorização do marido, havia a PIDE e deportavam-se políticos para o Tarrafal onde muitos morreram, havia o colonialismo...


H
oje os jovens dominam os computadores e é um ganho incrível, mas a sociedade desumanizou–se, desapareceu o amadorismo no desporto, a livre escolha das profissões, o convívio das gentes, o amor passou a posse, os bairros com jardins e lojinhas murcharam, a senhora Maria e o senhor Manel passaram a utentes, a fruta perdeu sabor e cheiro..., mas outro mundo nasceu, A China e Índia com um terço da população do mundo deslocaram o centro do poder.


T
udo tem que ser revisto para que o homem, (todo o homem!) seja o centro dos projectos colectivos, seja livre e tenha gosto de viver. É este repto para a revisão repartida com os jovens de todas as culturas que sendo difícil é aliciante. Sai ontem daquele jantar meditando se a minha geração terá ainda capacidade para participar saudavelmente nesta aventura que é a revisão quotidiana dos projectos da humanidade. 
Sem legenda



O
s radicalismos que ao longo de séculos dividiram e continuam a dividir os homens (católicos romanos, ortodoxos, protestantes, judeus, muçulmanos, ismaelitas, budistas, maçons, facções politicas...) têm de ser ultrapassados... Aquilo que para a minha adolescência foi a ética, a solidariedade, a reflexão prévia das opções, a defesa da liberdade, a convivência com os outros, entrou em “coma”. Temos ciência e poesia para a mudança?   


E
u continuo diariamente desassossegado, sonhando com esperança e uma pitada de utopia, é que a vida é um caminho solidário. Isoladamente nada se faz e nunca acabamos os projectos que arrastamos, outros os continuarão, pois o tempo de uma vida não chega... Assim decorre a história dos homens, com os jovens a renovarem-na. Eu tenho uma certeza, os anos que me faltam já são insuficientes para os meus projectos, o que não é grave porque outros os remodelarão, com um aviso, tudo tem de mudar na escolha dos políticos, as minorias não podem continuar a pagar as campanhas, para sufocarem as maiorias Temos de encontrar as alternativas mais sérias.
(*) Médico




sexta-feira, 12 de agosto de 2016



CONCURSO
Premiados

F
inalmente aqui vão os resultados do nosso Concurso. Mas, antes de tudo quero registar o (pouco) interesse das/os potenciais concorrentes. Das/os habituais comentadoras/res (que são muitas/os…) apenas responderam 16 (dezasseis). É pouco, para mim é muito pouco. O que me leva a repensar o tema e o próprio concurso e a sua dificuldade. Vou reflectir, mas a decisão final penso que penderá para o não. A ver vamos.


C
omo sabem não sou de arcas encoiradas ou reservas, escrevo este texto seguindo a maneira que sempre tentei usar para o melhor ou para o pior. Gosto de dizer as coisas de frente para quem as quer ouvir e principalmente para quem as não quer.


D
aí dizerem que sou uma prima donna um arrogante, um nariz empinado enfim um petulante… Nada disso, creio ser um tipo vertical, honesto, amigo das/os minhas/meus Amigas/os, respeitador de todas as opiniões desde que não sejam insultuosas, e verdeiro. Confesso que também um desbocado, mas a caminho dos 75 anos não vou mudar; os meus pais (infelizmente já falecidos) perderam a fôrma que utilizaram para me fabricar…


P
osto isto quero agradecer a todas/os que participaram neste concurso. Foi com um enorme prazer que recebi as respostas que fizeram o favor de me remeter.



Primeiros prémios - Vencedores/as (as/os que mais se aproximaram das respostas certas… pois não houve quem acertasse na mouche) Rui Espírito Santo e Teté    

Prémio de mérito: Tais (por ter respondido do outro lado do Atlântico)

Segundo prémio Teodomiro Marcelino (que até fala portunhol)
Terceiro prémio: Janita (pela pesquisa)

Outros participantes:
António Pedro Barroso
Redonda
Francisco Clamote
Majo Dutra
Pedro Coimbra
Afrodite
Ematejoca
Céu
Agostinho
Cidália e
Silenciosamente ouvindo.

Qjs & abçs para todas/os
Henrique, o Leãozão

Peço aos premiados para me mandarem por imeile as respectivas moradas para poder enviar os prémios. Obviamente o custo dos envios é da responsabilidade da NOSSA  TRAVESSA





Ó Elvas,
ó Elvas,
Badajoz
à vista

Antunes Ferreira

E
mbora já tenha abordado o assunto – ainda que pela rama, numa resposta dada à Janitamiga, comentadora – tenho de voltar-lhe, pois parece-me de algum interesse. Trata-se de algo que me despertou para a realidade triste, mas verdadeira. Por certo que já ouviram falar dele, mas por vezes as pessoas retraem-se convencidas (por elas próprias ou por pressão de outras) e escusam-se de denunciar o que se está a passar no domínio das finanças e da economia entre os dois países ibéricos.

A autoestrada do lá vai um...


P
or isso estou a pensar em mudar-me para Elvas e ali passar a viver; para o Caia não porque é um local quase despovoado onde até uns anos não havia sequer uma ATM. E se calhar ainda não há… Além disso tem uma bomba de gasolina que até mete dó e pode classificar-se como o lá vai um; e se calhar nem esse um lá vai…. O preço é português e logo ao lado é espanhol…Quase como a A6 normalmente deserta, que se dizia ser destinada a trazer espanhóis para Portugal e vice-versa. Um flop. Estou decidido: escolho Elvas. De resto o Paco Bandeira já cantava Ó Elvas, ó Elvas, Badajoz à vista, mas tenho de concluir que não nasci para contrabandista… E que, por obra e graça do acordo de Schengen já não há fronteiras.

A
brevio. Passei por Estremoz onde fica a casa dos meus compadres Pereiras progenitores da minha filha/nora Margarida, ficámos, a Raquel e eu mais eles na boa cavaqueira e depois seguimos para Badajoz. Voltaríamos no dia seguinte pela tardinha, depois de nos alojarmos no Hotel Lisboa, bastante degradado; mas o pessoal dele trata-nos nas palminhas. Jantámos no centro da cidade, uma refeição carota, mas muito saborosa. Que diferença sobre o tempo em que se ia lá para comprar caramelos. É preciso dizer que enquanto Elvas tem 85 mil habitantes, Badajoz já alcançou os 150 mil!
15 minutos entre Elvas e Badajoz

J

á não íamos a Badajoz há uns três ou quaro anos e agora pudemos constatar que naquele restaurante dos oito empregados de mesa, seis eram… lusitanos. À conversa com um deles ficámos a saber que vive em Elvas e bastam quinze minutos para chegar ao trabalho - porque ali há trabalho. Os outros camaradas eram de Rio Maior, Vila Boim, Barbacena e Santa Eulália. “Aqui ganha-se mais do que em Portugal e se um homem não aprovêta está mesmo fodido, desculpe minha Senhora.”

N
a quinta-feira fomos às compras, tendo corrido três hipermercados e um centro comercial. Há doidos para tudo… Lá voltou o espanto: o salário mínimo em Espanha é €655 e em Portugal está nos €530; pois os preços são mais baixos do que no nosso país. Por isso os portugueses que vão comprar coisas a Badajoz são quase metade dos clientes. Não vale a pena compara-los (os preços) pois as diferenças são evidentes. Reina o pague dois leve tês. À saída de um deles (não digo nomes para evitar a publicidade grátis) a caixa tinha um dístico na blusa: Maricarmén.

Rebaptizaram-me...


Q
uando nos ouviu falar imediatamente informou: “também sou portuguesa e chamo-me Maria do Carmo; mas estes filhos da puta – desculpe-me minha senhora - rebaptizaram-me...” Em tom baixo disse-nos que era de Vila Fernando onde o casal de filhos ficava durante o dia com a avó, pois o marido era mecânico de automóveis no bairro de Valdepasillas, numa oficina de Seats. E acrescentou quase num sussurro que ali ganhava-se muito melhor do que no nosso país. Disfarçou, pois passava o gerente.
F iquei a pensar em Olivença/Olivenza com os seus brasões portuguesas e com os velhos a falar um portunhol ressabiado. “Temos que volver a nuestra Pátria que não es Espanha es Portugal”. Sendo ou não sendo são águas passadas, porém aqui não há muitos portugueses de visita. Não há hipermercados, nem sequer supermercados. Donde não há compras. Por isso só um saudosismo espúrio leva até lá os turistas lusitanos. Que me perdoem os membros dos Amigos de Olivença

Que diferença!!!

A
ntes de voltar à santa terrinha ainda fui atestar o depósito do meu Hyundai numa bomba pertencente a uma grande superfície. O litro é de €1,12; aí sim, com o recibo das compras há um desconto e assim fica a €1,09; em Portugal é de €1,44 e com desconto máximo ficamo-nos nos €1,29. E embora se continue a dizer que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento” mantenho-me na minha: penso que vou mesmo morar em Elvas…


quinta-feira, 11 de agosto de 2016




CONCURSO

As respostas correctas

(As respostas correctas são acompanhadas de umas quantas notas explicativas)

1) O cidadão sou eu, Henrique Antunes Ferreira, então aluno da Faculdade de Direito da Universidade Clássica (Lisboa); ao meu lado está o meu Amigo Eduardo Nery, também estudante da mesma Faculdade, 

2) Estou a imitar o Salazar num dos discursos do gajo. Os óculos puxados para baixo no nariz; o dedo apontado -  são ambos característicos do ditador-paternalista de Santa Comba Dão. “Alguém” denunciou o facto, o que me levou a mais uma “entrevista” pouco pacífica na sede da PIDE, Rua António Maria Cardoso. Motivo: ofensa a um órgão de soberania;

3) O local em que tudo aconteceu foi no Bar da Cantina Universitária (Velha) na cidade universitária de Lisboa. Ao fundo pode ver-se o Hospital Universitário, hoje de Santa Maria. Foi lá que um ano depois a Polícia de Choque  invadiu de madrugada as instalações e levou muitos estudantes presos para Caxias. Adivinhem quem também estava lá e por isso foi dentro…

4) A data foi no dia primeiro de Maio de 1961, tinha eu acabado de completar os meus 20 anos. Tratava-se das comemorações do Dia do Estudante entretanto proibidas pelo Governo cooperativo-fascista. Exactamente um ano depois e pelo mesmo motivo decorreria o Luto Académico em que obviamente participei. Era então presidente da RIA (Reunião Inter Associações) o Jorge Sampaio que viria a ser PR.

Apenas uma nota: o aluno do ISCEF o Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ao Quelhas) Aníbal Cavaco Silva recusou-se a participar no Luto/Greve afirmando que este era contra a Constituição de… 1933, fascista. Eu estava uma vez mais no “centro do furacão” (era o secretário da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, a única tolerada pelo Executivo salazarento na capital) e presenciei a “explicação” do Cavaco, que viria a aderir ao luto pelas 19:00 do dia em que o Jorge Sampaio declarou encerrado o Luto às… 14:23; fui eu, aliás, quem escreveu a Acta do Encerramento e por isso posso indicar exactamente a hora.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Concurso





 ÚLTIMA HORA!!!


D
ado que ninguém até à data acertou nas perguntas feitas no concurso, damos agora a foto ao natural como derradeira dica a fim de auxiliar os concorrentes e outros que ainda venham. E prolongamos a data de encerramento para as 19:00 (dezanove nove horas) de quinta-feira, 11 do corrente mês de Agosto. A bondade, a atenção e o carinho do autor ficam assim amplamente demonstrados. Boa sorte a todos os que já responderam e aos que ainda responderão.

HAF 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016



CONCURSO

Adivinhe se puder


A
 qui está o anunciado CONCURSO. Não tem grande dificuldade, digo eu, mas irei dando umas dicas ao longo dele que começa hoje (sexta-feira), 05 deste mês. As últimas respostas deverão dar entrada (por imeile) até à próxima quarta-feira, 10 ainda deste Agosto, pelas 17:00.


P

 erguntas:
        1)  Quem é o cidadão que está ao centro da imagem?
        2)  O que está ele a fazer?
        3)  Em que local decorre a cena?
                     4)  Em que ano?




C

 ada concorrente poderá apresentar 3 (três) respostas, a fim de serem apreciadas uma a uma. As respostas devem ser enviadas para o imeile do promotor ferreira20091941@gmail.com



T

 al como foi dito na apresentação serão sorteados 5 (cinco) prémios entre os concorrentes. Boa sorte e rapidez a todas e a todos.

    A.F.