2022-12-15

  


O Diluvio 

Universal

*Os chatos da companhia 

das águas

 

Antunes Ferreira

As melhores iscas com elas que já comi na minha vida são as do Damasceno Vitoriano (raio de nome de cabo-verdiano nado e criado na Cidade Velha da ilha de Santiago e baptizado na igreja da Nossa Senhora do Rosário, construída em 1495, a mais antiga igreja colonial do mundo. E se forem acompanhadas por um Manipango tinto da ilha do Fogo não sei se vos diga, não sei se vos cante. É que se trata de um néctar de mastigar para apreciar e resolver-se numa sesta a preceito depois de rapado o tacho das iscas e terminado o repasto com um grogue à maneira.

 

Por vezes o Damasceno, o Mesquita angolano (que já citei nestes arrazoados), o Bentes moçambicano e o Noé Mascarenhas damanense juntávamo-nos no Sabores de Goa para apreciar uns picantes e à baila falarmos de pingas. Como já tive oportunidade de explicar três anos ou pouco mais afastaram-me desse excelente convívio. Mas, há quinze dias sentámo-nos de volta. E, podem crer, o dr. Vitoriano (o gajo é ginecologista) trouxe uma garrafa caseira de Manipango.

 

Conversa puxa conversa, tal como as cerejas e o Mesquita atacou risonho o Noé: “Se o teu xará bíblico ao sair da arca se tivesse agarrado uma carraspana deste tinto seriam necessários todos os filhos para o acordar e assim poder chegar aos 950 anos… O assunto bem interessante mexia comigo – e muito, pois como julgo que muito bem sabem entre os múltiplos temas culturais que tento abarcar (não sou uma Wikipédia, longe disso) a História e as suas milhentas estórias que são o seu “recheio” – o assunto, dizia, levou-me a comunicar ao grupo eu próprio me iria atirar de cabeça ao Noé, ao Diluvio, ao Velho Testamento e em apêndice ao falecido cantor Roberto Leal, um autodidata de nome que fez a ponte a cantar entre Portugal onde nascera e o Brasil para onde emigrara com doze anos, pai, mãe e mais oito irmãos.

 


O mérito a quem o merece. Nunca se tendo afirmado intelectual, Roberto Carlos  Roberto Leal, nome artístico de António Joaquim Fernandes,  foi um cantorcompositor e ator português radicado no Brasil. Era considerado embaixador da cultura portuguesa no país irmão. Ao longo da carreira de mais de 45 anos, ganhou trinta discos de ouro, além de cinco de platina e quinhentos troféuse  de acordo com diferentes fontes as suas vendas totais somam 15 milhões ou até 25 milhões de dólares

 

Chamo para aqui o seu nome devido a uma canção popularíssima de sua autoria e por ele interpretada (o que sempre acontecia nas suas actuações), canção essa que é mais um vira em que ele homenageia o vinho verde:

Ai! verdinho, meu verdinho
Já saíste da videira (bis)

Escorrega devagarinho
Apaga-me esta fogueira (bis)

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)

Ai! verdinho, meu verdinho
Ouve bem o que te digo (bis)

Não há pedras no caminho
Quando tu andas comigo

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)

Ai! verdinho, meu verdinho
Só tu és o meu amor (bis)

Só o verde bem verdinho
Vai à mesa do senhor (bis)

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)

Ai! verdinho, meu verdinho
Esquecer-te não há maneira (bis)

Tu prá mim és pão e vinho
E cor da minha bandeira

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)!!!”

Este tema das águas numa altura como esta em que as inundações por todo o país dão cabo das pessoas e dos bens relembrar o Dilúvio Universal parece-me ter todo o cabimento. Porém tenho de deixar aqui um alerta: ninguém pense que me julgo uma panaceia para os gravosos danos causados pelos caudais de águas que não foram atempadamente previstos. Talvez os que mandavam em tempos idos na Companhia das Águas fujam com o rabo à seringa…




 

 Não quer o escriba acocorado alinhavar a narrativa sobre um dilúvio encontrada no Génesis da Biblia Hebraica, Deus decide inundar a terra por causa da profundidade do estado pecaminoso da humanidade. O justo (aquele que segue as diretrizes divinas) Noé recebe instruções para construir uma arca. Quando a arca é concluída, Noé chama a sua família e representantes de todos os animais da Terra para embarcar.

 

Pode fazer-se uma ideia das filas monstruosas que se formaram. Os textos bíblicos não possuem quaisquer traços de reportagem, segundo a minha adolescente opinião. São apenas relatos factuais como dados lançados num livro de escrituração comercial. Não é que eu tivesse visto ou escrito algum, mas seguia o que me contavam quem sabia mais a dormir do que outro acordado.

 

Continuo a pesquisar pois as coisas vão-se tornando cada dia mais interessantes, No momento em que escolhera enveredar pelo caminho que tomara não previra o desenvolvimento que estava a surgir a cada momento. Quando o dilúvio destrutivo começa, toda a vida do lado de fora da arca perece. Após as águas baixarem, todos aqueles a bordo desembarcam e têm a promessa de Deus de que Ele nunca vai punir a Terra com um novo dilúvio. E deu o arco-íris como sinal desta promessa.




 

Embora não lograsse encontrar muitas fontes fiáveis a cerca de dois terços da minha investigação deparei-me com um nome que originou uma busca mais pormenorizada, o arcebispo James Ussher (*). Segundo ele, aparentemente, Noé nasceu em 2 948 a.C. e morreu com 950 anos (?????) em 1 998 a.C.. Os seus três filhos mais conhecidos eram SEM, Cam ou Cã e Jafé. A mulher de Noé (Génesis 6:18; 7:7, 13; 8:16, 18), segundo a tradição judaica não bíblica, chamava-se Noéma (Na'amah - cheia de beleza) e era cananita.

 

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 (*) No livro dos Jubileus, o seu nome é conhecido por Enzara e seria só James Ussher ou simplesmente Usher (Dublin, 4 de Janeiro de 1582 - 21 de Março de 1656) e foi um Arcebispo de Armagh. Baseando-se na Bíblia, escreveu o livro “The Annals of the World” em 1658. Nele, Ussher fez uma cronologia da vida na Terra baseada em estudos bíblicos e de outras fontes, de tal maneira que concluiu que a criação do Mundo ocorreu no dia 23 de Outubro do ano 4004 antes de Cristo (a. C.) pelo calendário Juliano. Na época, a afirmação foi amplamente aceite.


A cronologia de Ussher representou um feito considerável de erudição: exigiu grande profundidade de aprendizagem do que era então conhecido da história antiga, incluindo a ascensão dos persas, gregos e romanos, bem como conhecimento da Bíblia, línguas bíblicas, astronomia, calendários antigos e cronologia. O relato de Ussher de eventos históricos para os quais ele tinha várias fontes além da Bíblia geralmente está de acordo com as fontes modernas - por exemplo, ele situou a morte de Alexandre, o Grande em 323 a.C. e a de Júlio César em 44 a.C.

 

 A última coordenada não bíblica de Ussher foi o rei babilónico Nabucodonosor e, além desse ponto, ele teve que confiar em outras considerações. Confrontado com textos inconsistentes da Tora, cada um com um número diferente de anos entre o Dilúvio e a Criação Ussher escolheu a versão Massorética, que afirma uma história ininterrupta de transcrição cuidadosa que remonta a séculos - mas sua escolha foi confirmada para ele, porque colocava a Criação exactamente quatro mil anos antes do ano 4 a.C., a data geralmente aceita para o nascimento de Jesus. Além disso, ele calculou que o templo de Salomão deve ter sido concluído no ano 3000 desde a criação, de modo que houve exatamente mil anos do templo a Jesus, que se pensava ser o 'cumprimento' do Templo.

 

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Retorno agora à famosa arca construída pelo Noé posteriormente conhecido pelo seu amor ao sumo das uvas devidamente “preparado”. A quantidade de animais (sem marcação ou reserva) que nela iam entrando era a prova da expressão mais que muitos ficava muito além da realidade. As quezílias deviam ser permanentes bicos-de-obra e ainda por cima não havia ao que me constava bilheteiras ou muito menos agências de vendas oficiais.

 



Portanto, Noé, ainda sóbrio, ia controlando os pares que depois das águas desaparecerem (quando Deus retirasse a rolha da ciclópica banheira em que Ele transformara a Terra) pudessem – e devessem fodi…, digo, fornicar para repovoar o orbe terráqueo, quando num sobressalto medonho mandou parar o desfile. Pasmo geral. Coisa simples e explicável: era um casal de carunchos que se aprestava para entrar; a mamutica embarcação nem um piu daria com aqueles insectos roedores a bordo…




O adeus de Fernando Santos

 

Antunes Ferreira

Não é de hoje que os que ainda resistem ou andam distraídos me leem sabem que não aprecio o engenheiro eletrotécnico Fernando Manuel da Costa Santos, ex-seleccionador/treinador nacional da equipa de futebol das sete quinas. Não é que ponha em causa a sua competência profissional; é. sim, pela atitude que habitualmente assume no banco: aparentemente resignado com o que se está a passar no relvado e só em raros momentos mostrar alguma exaltação.

 

Depois existe um factor eu alta aos olhos mesmo a um treinador d sofá como é o meu caso, mante do futebol mas do qual, julgando perceber – ou mesmo saber – “umas coisas” (a minha praia, como agora se diz, foram o râguebi e a natação de competição que pratiquei) do futebol sou dos que descobriram que Fernando Santos é padrinho. Como assim?

 

Para mim, é sim, senhores, há afilhados, isto é jogadores que têm sempre lugar no time mesmo que não estejam no seu melhor nas equipas onde estão; dispenso-me de dar exemplos tão flagrantes eles são. Reconheço, no entanto, que teve e tem a coragem de ao longo do seu também longo mandato lançou muitos jovens o que é meritório e represente um saldo positivo. Mas, para mim, não basta. De uma coisa, porém, não pode ser apontado: não é corrupto!

 

O dinheiro não tem sabor nem cheiro. Mas sabe muito bem. Disse alguém que não conhecia ninguém que tivesse chegado a milionário a trabalhar. Estava errado, pelo menos por defeito. Estou abordando o tema futebolístico. Olhe-se então para o mundo do futebol  mais atentamente para o Qatar onde no domingo termina o Mundial 2022. Como foi lá ‘parar a maior?

 


E logo surge o nome d Joseph Blatter, o ex-presidente da Federação Internacional e Futebol (FIFA) com o qual os dirigentes ditatoriais do emirado acertaram a realização do maior evento futebolístico mundial no país para lavar a cara internacionalmente ao regime – e conseguiram-no. Nos dias que correm que dizer do comportamento ainda em relação com o Qatar da grega Eva Kali uma das vice-presidentes do Parlamento Europeu, agora em prisão preventiva?

 

Por essas e por outras a saída de Fernando Santos deve ser registada seriamente e com a devida nota, mas ressalvando que ela nada tem que ver com dinheiros ilegalmente metido na sua(s) conta(s) bancária(s). Porém, já depois de escrito este texto descobri duas coisas que me apresso agora mesmo a acrescenar. O acordo estabelecido com a Federação Portuguesa de Futebol incluiu o pagamento a Santos a quantia de SETE MILHÕES DE EUROS pela antecipação do final do contato de trabalho que ia até 2024. Tudo bem, é a lei.. Mas e aí é que tenho sérias reservas também foram perdoadas ao ex-trabalhador TODAS AS DÍVIDAS FISCAIS que ee tinha!!!!  Essa agora? Então um "funcionário público" vive tranquilo com dívidas ao Estado? "No comments" - diria o "velho" Jimmy Hagan. Daí que transcreva a breve publicada pela revista senal “Visão”:     

 

«Adeus, MisterDepois de uma derrota nos quartos de final do Mundial2022, e dois jogos em que deixou Ronaldo no banco, Fernanando Santos deixou o comando técnico da selecção portuguesa. Foram oito anos à frente da equipa das ‘quinas’, com sucessos e alguns amargos de boca. “Além dos títulos conquistados, Fernando Santos tornou-se o selecionador com mais jogos e mais vitórias. Foi uma honra ter podido contar com um treinador e uma pessoa como Fernando Santos na liderança da seleção nacional”, refere a Federação Portuguesa de Futebol em comunicado. Em 109 jogos, Fernando Santos conseguiu 67 vitórias, 23 empates e 19 derrotas. Agora, começam a surgir nomes alternativos. Quem será o senhor que se segue?  José Mourinho está na linha da frente dos favoritos.»

Sinceramente não acredito que Mourinho aceite tal incumbência. Primeiro porque já disse que só o faria lá para o final da sua carreira (salvo erro ou omissão d minh parte); segundo porque não viria meter-se num ninho de víboras – pois o que não falta por cá são serpentes venenosas…

 





2022-12-10



 


Constipação e goleada

 

*Abafa-te, avinha-te e acama-te

 

Antunes Ferreira

Espirrei. Tossi. Virei-me na cama e chamei a Raquel que me pôs a mão na testa. “Estás com febre.” Sentenciou e foi buscar o termómetro que me meteu n axila. “Não te mexas até eu voltar; vou fazer-te um chá com mel e volto já.” Ordens são ordens, especialmente vindas de quem manda em mim – não se discutem, ponto.

 

Claro que preferia na mistela um cheirinho de Black Buschmillls, mas podiam bulir com os milhares de drageias, comprimidos revestidos e outras poções que tomo por prescrição médica, sempre são 81 anos, embora haja quem m dê 97…  Sempre houve, há e haverá gente mal-intencionada, invejosa, deprimente ou apenas criminosa do mais alto coturno.

 


O veredicto
da minha cara-metade veio com o maldito chá. Consultou o instrumento medidor da temperatura“ Trinta e oito e quatro, nada de especial. Deve ser apenas uma constipação. Ontem estivemos a ver o Brasil – Coreia do Sul e não estiveste bem agasalhado. Vais ficar por agora na cama e depois logo se vê. Como foste inoculado juntamente com a vacina contra a Covid também o foste contra a gripe não deve haver coisa ”. Havia dobrada com feijão branco para o almoço e às sete horas o Portugal – Suíça – um plano incontornável. O aforismo “abafa-te, avinha-te e acama-te” era despiciendo.

 

Portanto levantei-me daí a pouco, tomei um duche bem quente, nem me escanhoei e acalmado parti para a dobrada que me soube como aperitivo para a jogatana a qual merecerá outras considerações noutro escrito. Para agora fica o que aconteceu, entretanto. Puro engano como à frente se verá. Voltara para o teclado quando o telefone fixo tocou, era o porteiro Miguel Matoso a comunicar-me que estava lá em baixo um casal que me queria falar.

 

Argumentava o cavalheiro que tinham sido meus alunos na Universidade Lusíada e que queriam trocar impressões comigo e colocar-me uma quantas questões sobre o tema Mundial 2022 sabendo que eu era um adepto do futebol. Como tinha tempo até à partida dos oitavos que envolvia a nossa selecção não vi inconveniente e mandei-os subir.

 

Reconheci-os mal abri a porta do apartamento que tenho alugado; o córtex continuava a funcionar a contento. Eram o Daniel Resendes e a Deolinda Furtado que entretanto haviam casado. Oportunidade para o uísque irlandês (para mim um dos melhores do Mundo…) e em tom simples de conversa contei-lhes como recebera uma dúzia de garrafas do precioso néctar.

 

O caso teve a sua piada e não resisto a registá-lo aqui. Num Ecofin (o Conselho para o Assuntos Económicos e Financeiros da UE) em que eu integrava a comitiva do ministro das Finanças Sousa Franco tive a oportunidade de falar com o seu colega irlandês Seán MacBride. Numa conversa informal disse-lhe que na armada do Vasco da Gama que descobrira o caminho marítimo para a Índia iam quatro marinheiros irlandeses.

 

Do facto havia documentos na Biblioteca Nacional em Lisboa. O governante ficou muito interessado e como havia um Conselho Europeu no mês seguinte em Dublim se eu pudesse arranjar fotocópias desses documentos e levar-lhas ficar-me-ia muito agradecido. E, graças a conhecimentos meus, assim aconteceu.

 

De tal forma MacBride ficou satisfeito que me levou ao que chamou o seu “gabinete pessoal” um pub situado quase em frente do seu Ministério onde me perguntou o que eu queria beber para comemorar o “feito”. Claro que lhe confessei a minha paixão pelo uísque irlandês e o ministro informou-me que tomava em boa conta essa “confissão” e daria conta dela â secretária, uma balzaquiana podre de boa chamada Fiona.

 


Estava ela ligada a uma estória que me deu a imagem quase perfeita da Irlanda dividida. Quando passávamos pelo palácio presidencial (era Presidente da República a primeira mulher, Mary Robson) havia três mastros de bandeiras. Explicou-me Fiona: um tinha a bandeira do país, o outro a da União Europeia e o terceiro estava vazio: era para nele ser colocado o estandarte da Irlanda Unida!

 

Para resumir. À partida para Lisboa o comandante do Falcon (eram os aviões a jacto da Força Aérea que transportavam as comitivas oficiais) onde eu ia chamou-me de parte na hora do embarque e disse-me que lhe fora entregue uma encomenda pesada da parte do ministro das Finanças irlandês destinada a mim. Por motivos de segurança abrira o que era uma caixa de cartão e lá dentro…

 


“Doutor, eu nem queria acreditar: uma dúzia de botelhas de Buschmills de várias qualidades desde o Black até ao Green, passando pelo Malt até um White Malt! E com um cartão apenas manuscrito em português Obrigado. Boa viagem. Assinado Seán. E colado no interior da tampa da caixa está um post it: LOVE Fiona Você tem o cuzinho virado prá Lua…”

 

A conversa e as perguntas incidiram sobre as atitudes do Cristiano Ronaldo. Eles alinhavam no grupo dos descontentes, achavam que a celebridade não o autorizava a fazer declarações no mínimo desbocadas dizia a Deolinda que embora confessasse ter uma paixãozita pelo madeirense não admitia que ele fosse como o cão que mordia a mão de quem lhe dava o comer.

 

Começara a transmissão do Lusal Stadium e na primeira parte Portugal já ganhava por dois a zero. Mas o melhor estava para vir; passado o intervalo e nos segundos 45 minutos + 4 a soma total foi 6 (por extenso seis) contra 1 (um, solitário e estranho) dos suíços. Que goleada! A selecção das quinas estava nos quartos da final. Como não quer a coisa fui até à arrecadação tipo bar anexa à sala de estar onde existia o televisor e emborquei mais um Buschmills à conta da malta de verde e rubro.

 

Foram-se embora satisfeitíssimos e a Lyuba que já armara a árvore artificial voltou-se para mim: “No fim de contas a constipação fez-lhe bem… E o jogo também…” Intrigado perguntei: “Como assim?” Ela com um sorriso maroto: “Uns uisquezinhos sem a dona Raquel dar conta…”

 


 

 UM PONTAPÉ MARROQUINO

“Buraco” (mais um?) do guarda-redes Diogo Costa ditou o que nós, os portugueses, não contávamos que pudesse acontecer: sair do estádio Al Thumama em Doha vergados ao peso duma cabeçada do marroquino Youssef En Nesyri no minuto 42 da primeira parte do Portugal-Marrocos dos quartos da final do Mundial 2022.




  

Esperanças lusas tinham-se avolumado depois dos históricos 6-1 alcançados sobre a Suíça e, principalmente, devido à excelente exibição dos dirigidos (?) por Fernando Santos. Antevia-se uma aurora rosada perante uns magrebinos perigosos que sabiam estender-se harmoniosamente no relvado e entender-se entre si  maravilhosamente. E, além disso tinham (e têm) um guardião cinco estelas, Yassine Bounou.

 

As imagens televisivas que o capitão da equipa nacional, Cristiano Ronaldo (que só entrou a jogo na segunda parte) saiu a chorar do campo no final da partida: um final duro e doloroso para um verdadeiro embaixador de Portugal ao longo de mais de uma década, considerado um dos melhores – senão mesmo o melhor – futebolista do Mundo.

 

Não vale a a pena chorar sobre o leite derramado, mas pode tirar-se daqui uma lição: não se deve contar com o ovo no cu da galinha…

Uma última linha para me despedir destes escritos sobre o Mundial 2022. Comentámos enquanto a "equipa de todos nós" lá esteve; agora, abafa-te, avinha-te e acama-te. Já tá, AF

 

Messi na final do Mundial

 

Antunes Ferreira

Tinha pensado – e até prometido a mim mesmo – que, depois do desastre da selecção portuguesa no Mundial de Futebol 2022 a decorrer no Qatar não voltaria neste blogue ao tema, já bastara o que acontecera. Mas se a intenção era legitima e boa, não se pode esquecer que de boas intenções está o Inferno cheio. E, para mais, saiu à ribalta o Evagate que tudo o indica estará relacionado com o emirado sede da competição.

 

Enquanto a equipa das quinas por lá andou a tentar dar um ar da sua graça, trocámos opiniões a minha Amiga portuguesa “germanizada” Teresa Palmira Hoffbauer, que reside na Alemanha, e eu próprio, ambos amantes do chamado “desporto-rei”. E ontem, terça-feira ela escreveu sobre o Argentina-Croácia que tinha visto e sobre o qual deu a sua opinião. Ora eu não podia ficar calado, Por uma simples razão. Por isso escrevi no seu blogue “Ematejoca Azul” o testic…ups, textículo que se segue:

 


 «Eu também vi o Messi, perdão, vi o jogo e tenho de reconhecer que – embora não goste dele – o homem é um GÉNIO! O trabalho que fez para proporcionar ao Julián Alvarez o terceiro golo (minuto 69) é um portento, uma maravilha pois só ele conseguiria desembrulhar o espaço no meio de uma defesa croata perfeitamente enfeitiçada e por fim pasmada.

 

A partida foi interessante com a Croácia a experimentar um inicio encorajador e a Argentina (cada vez gosto menos dela, embora reconheça que é uma grande equipa, o seu a seu dono) a apalpar o terreno e a preparar o veneno de que é dona e especialista.

 

Após esses momentos de estudo recíprocos” começou a vir ao de cimo a estaleca do time do país das pampas. E se, como é sabido, para se dançar o tango são precisos dois, no Lusail Stadium só um parceiro acertou no compasso: o alvi-azul. Porque o outro aos quadrados azuis e negros (desta feita não pôde envergar as tradicionais camisolas quadriculadas a vermelho e branco por mor do regulamento da prova) fartou-se de trocar os pés, ainda que, como é hábito, quem deu mais porrada foram os homens do chá mate.

 

Temos, portanto, a primeira finalista; amanhã, quarta-feira, (hoje) surgirá a segunda, resultante do jogo França-Marrocos. Vou torcer pelos norte-africanos. Chauvinismo à la portuguaise? Vingança desnaturada? Não. Não quero ver a tricolor içada na Tour Eiffel!»

 

2022-11-30

 Golfe, natação e râguebi

 

*Estou certo: já dei o que tinha a dar

 

Antunes Ferreira

Para o que lhe havia de dar… Nunca em tal pensara, confidenciou-me numa esplanada da Avenida enquanto bebericávamos um excelente Black Bushmills que para mim continua a ser o melhor uísque da Irlanda do Norte, melhor dizendo, de toda ela, da Europa, mesmo do Mundo, qu’eu cá só sei dizer o que vai no íntimo e nas pupilas gustativas. Boa malha!

 

Era por uma tarde de Agosto ensolarada, as ruas meio desertas, é assim que gosto da minha cidade pouco entupida apesar dos enxames de turistas como os chupa-chupas, cada cor seu paladar e país de origem. Acabara de ver no ecrã da televisão na CNN/Portugal as Breaking News uma notícia espantosa: Tiger Woods, lenda do golfe internacional, voltou esta quinta-feira à competição no 86.º Masters de Augusta, na Geórgia, mais de 13 meses depois do acidente de viação que quase lhe custou a perda da perna direita. O norte-americano de 46 anos, que venceu 15 majors na carreira, participa assim no primeiro grand slam da temporada, 17 meses após o seu último desafio.”



 

O meu amigo e companheiro de copo, um “furioso” do golfe elucidou-me que  Woods competira pela última vez na edição 2020 desse Masters, adiada para Novembro devido à pandemia de Covid-19: e que agora procura conquistar o torneio pela sexta vez e assim igualar o recorde do seu compatriota Jack Nicklaus, depois de ter ganho em 1997, 2001, 2002, 2005 e 2019.

 

A perna direita de Woods atraiu os olhares dos muitos presentes, que saudaram o regresso do que é provavelmente o melhor jogador da história. Em 23 de Fevereiro de 2021, perto de Los Angeles, um despiste provocou-lhe múltiplas fraturas expostas que obrigaram à colocação de uma haste de metal na tíbia e parafusos para consolidar os ossos do pé e do tornozelo.

 

Woods, que correu o risco de amputação, ficou hospitalizado durante várias semanas e esteve incapaz de andar durante vários meses. "Foi um caminho difícil. Voltar a jogar aqui parecia-me muito improvável naquela época", disse, em conferência de imprensa, na qual revelou que a sua recuperação está a "correr bem" e que tem "melhorado todos os dias".

 


Mário Azevedo Bernardo, chefe reformado da PSP e meu colega nos quatro primeiros anos escolares era quem me acompanhava nessa tarde de Agosto e sendo um grande fã do golfe (passava os dias a jogar num qualquer green disponível, não tinha mais nada para ocupar o ócio) ainda completou a informação sobre o golfista multicampeão: Em 2017, ele fora preso na Flórida por dirigir "sob a influência de drogas".

 

Nos Estados Unidos, esse tipo de caso é relacionado, geralmente, ao consumo de drogas como álcool ou estupefacientes. No entanto, no caso do atleta, o exame toxicológico apontou que seu organismo tinha cinco tipos de medicamentos diferentes. Woods alegou que se auto medicva por conta de problemas nas costas. As dores eram recorrentes e chegaram a tirar o jogador de diversos torneios em 2015.

 

Reservado e carismático, sempre fora um “garoto propaganda” perfeito para as marcas se associarem. Até nos casos extraconjugais de 2009. Marcas como Gatorade e AT&T quebraram os contratos  que tinham com ele. Apena a Nike se manteve fiel ao compromisso.

 

E, antes que eu interviesse, Mário disparou: O golfe é um desporto no qual os jogadores usam diversos tipos de tacos para arremessar uma bola para uma série de buracos numa vasta extensão de terreno, usando o menor número possível de tacadas.

 

É um dos poucos desportos com bola que não exige uma área de jogo normalizada. Em vez disso, o desporto é praticado num campo de g0lfe, o qual geralmente consiste numa progressão de nove ou dezoito buracos. Cada buraco inclui uma área de terreno inicial (tee) e uma área final (green), na qual se encontra o buraco propriamente dito. Entre as duas áreas existem diversos tipos padronizados de terreno e obstáculos, e cada buraco possui uma configuração única.


 

Eu bem tentava atalhar a enxurrada bernardiana mas, com mil macacos, nem a barragem do Castelo do Bode lograria tal feito incomensurável. Ele estava mesmo desgovernado, sem tacos em punho, mas lançado a toda a brida, prego a fundo, sem dar conta dos ténues esforços que eu debalde tentava intercalar. Nem que o Cícero bradasse “Ó tempora, ó mores!”  se extinguiria a verborreia…

 

Azevedo imparável: As competições de golfe são geralmente pontuadas em função do menor número de tacadas individuais, ou stroke play, ou a pontuação mais baixa em cada buraco individual durante uma ronda completa de um jogador ou de uma equipe, ou jogo por buraco. O formato jogo por buracos, no entanto, é o mais comum em todas as competições.

 


A palavra golfe em português tem origem no inglês golf, que por sua vez provém do alemão kolbe, significando taco. Considerado um desporto de elite por muitas pessoas, sua real origem é bastante discutida, sendo que a mais aceita é a sua criação pelos escoceses que já o praticavam por volta de 1400. Em 1457, o parlamento escocês, por ordem do rei Jaime II da Escócia, proibia a prática do golfe por considerá-lo um divertimento que afetava os interesses do país.

 

Era chegada a altura do desengano. Recordei ao meu ex-colega da escola Mouzinho da Silveira, ali à Praça de Espanha onde cumpríramos os quatro anos da primária que no concernente ao desporto a minha praia era a natação e o râguebi e como forma de entretenimento o toque de campainhas de portão de prédios no mínimo de três andares.

 

Porém, quanto a uma tal prática desportiva que metia paus e bolas – ná!  E acrescentei: “Com a minha (nossa) idade já dei o que tinha a dar…”







Desilusão à portuguesa

mas também à brasileira

                                                                           

Finalmente quem ficou com os olhos em bico fomos nós os portuguesinhos que pensávamos que a partida com a Coreia do Sul eram favas contadas. E afinal com as festas natalícias já ali â esquina e os bolos reis nas pastelarias quem apanhou a fava foi a selecção das quinas. No restaurante que funciona na antiga cave do prédio onde moro o dono estava, minutos depois de acabar o desastre nipónico, a afixar um menu num cavalete junto à porta: DESILUSÃO À PORTUGUESA (COM TODOS). Valha-nos esse espírito…

 

A expressão do Cristiano Ronaldo, sentado no banco, depois de ter sido substituído era bem a imagem do espanto misturada com o desapontamento, o desencanto, a tristeza, a desilusão – tudo q.b. Recordar que fora ele quem dissera que penduraria as chuteiras se Portugal ganhasse o Mundial 2022. Por este andar o que temos de ganhar é bom senso e paciência porque a jogar assim temos de esperar pelo próximo Mundial…

 

Ainda há muito campeonato pela frente e tudo pode acontecer – incluindo à equipa nacional – mas pelo andar da carruagem não me parece fiável vaticinar quem será o vencedor deste singular Mundial no Qatar. Por isso e pela minha parte resta-me aguardar para ver em que vão parar as coisas. E, claro, onde vai ficar a “equipa de todos nós” frase feita mas que as mais das vezes nos causa uma verdadeira… desfeita.

 

Mas há quem diga que todo o mal acaba de certa maneira por servir de exemplo para que quem o sofra não volte a cair na mesma, Não é bem assim, infelizmente. Tentava acalmar o sistema nervoso quando me chama a minha esposa: ia começar o Brasil – Camarões. Tite, o patrão da lancha canarinha aliviava o escrete e até punha na direita os 39 anos do lendário “barcelonense” Dani Alves. Que tinha dito aos media que se fora convocado para “tocar pandeireta” a selecção tinha o melhor tocador de… pandeireta do Mundo. Tudo numa boa.

 


O mau foi ter havido – o raio dos árbitros deste Qatar 2022 não se cansam de aditar minutos, muitos, aos noventa regulamentares… - mais um prolongamento, e logo aos 46 depois de mais um ataque em massa dos brasileiros, os camaronenses reagem rapidamente através duma vertiginosa corrida pelo flanco direito. Cruzamento perfeito, cabeça do veterano Aboubakar: golo, vitória dos Camarões, mesmo assim eliminados. Mas – ganharam ao Brasil! Ainda estive para descer ao restaurante para dizer ao Pereirinha, seu proprietário e dono do balcão que escrevesse uma linha no cardápio com um prato africano, sei lá, uma muamba, Porém o meu sofá era tão confortável…

Sexta-feira para esquecer? Não. Para recordar que vitórias antecipadas nem no Monopólio…


PORTUGAL - 6 SUÍÇA - 1

Na devida altura abordarei a mmaravilhosa vitória por 6-1 sobre a Suíça coisa que encheu de alegria (quase) todos os portugueses. No sábado, depois do confronto com Marrocos - que não  é uma pera doce - aqui estarei para dar conta do que acontecer.
Infelizmente acabo de assistir à eliminação do Brasil pela Crácia em penáltis. Senti-me frustrado pois, queiram ou não somos sangue do mesmo sangue,falamos a mesma língua,somos, em resumo, pai e filho e eu tenho muito orgulho em sê-lo. Caros brasileiros não desesperem: o futuro será, estou certo, melhor!