2016-10-27


Em busca do filho
 da pauta 

Antunes Ferreira

C
hama-se Luís Fagundes da Silva e é segundo sargento saxofone da banda da Guarda Nacional Republicada, que dizem ser a melhor banda militar do País – e é (e o resto é paisagem…). Tem tocado por tudo o que é sítio – a banda e com ela o Fagundes obviamente – desde os concertos nas ruinas do antigo Convento do Carmo até à colónia de emigrantes em Nework, passando pela Venezuela, Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Berlim, Montreal e pela aldeia da Senhora do Vale de Baixo, porque o cabo Mendonça é de lá e o senhor comandante autorizou, mas só uma parte, a dos instrumentos de sopro, se fossem todos nem em cinquenta coretos caberiam…


P
orém, desta feita, está encarregado de um serviço que não tem nada – nada? Nadíssima!... – com pautas, claves de sol, fusas, semifusas, dós, rés, mis e neste preciso momento faz xixi ao sol. Quem lhe havia de dizer que em três dias consecutivos fora mobilizado para três ocorrências cuja música era outra longe, muito longe, da que estava habituado a tocar. O serviço era muito, os efectivos pouquíssimos, os objectivos lixados e depois de uma palestra a atirar para a psique do tenente-coronel Chicharro, a banda tinha dado corda às botas regimentais e aí foram eles, incluindo o Fagundes.

... das minas de São Domingos



T
ratava-se de procurar um tal filho da puta chamado Pedro Dias, que em Aguiar da Beira assassinara a tiro um guarda, camarada dele e um civil e quase mandara para os anjinhos uma senhora que acompanhava o falecido a tiro. O segundo sargento que não levava o saxofone sente-se nu. O instrumento de nada lhe serviria se topasse com o cabrão, mas à fé de alentejano das minas de São Domingos donde era, se o topasse, mesmo que o gajo viesse de fusca em punho, ia-se a ele e até palitaria os dentes depois de o comer à dentada.


É
 claro que ficara admirado quando o enviaram para uma tal diligência sem estar minimamente preparado. Mas el-rei manda avançar, não manda chover. Os militares da Guarda ficaram assarapantados: nem, ao menos uns coletes anti balas? Nos filmes que a televisão dava, toda a malta com ar de autoridade os usava, aliás de várias cores que até ficavam muito bem nos portadores. Cenas eventualmente chocantes – mas sem bolinha vermelha…



M
as as coisas não tinham ficado por ali. Os homens arrebentados de tantas andanças, para cá e para lá, por matos e pinhais e caminhos escalavrados, tinham recebido ordens para parar com aquela cegarrega. Resultados népia. Depois seria o caso de um puto de dois anos que desaparecera de casa dos avós, um “mistério” que metia por certo grossa mescambilha e umas massas graúdas, pais separados, enfim, o trivial. Quando elas acontecem quem as pagam são os putos. São os gemidos quando se fazem, são os insultos quando se desfazem.



P
orém para ajudar os homens entre eles o Fagundes o pessoal ainda fora a correr tentar caçar outro gabiru que também matara um cidadão. Caramba, é demais, pensa o segundo sargento sem saxofone, enquanto vai mastigando uma sandes de presunto de entre umas quantas que uma senhora compassiva veio ofertar acompanhadas de um tinto de estalo, é da nossa colheita, se quiserem mais é só dizer. Coitados, bem precisam, no estado em que estão… E o senhor é quê? Pelas divisas deve ser general. Muito mal devem estar as coisas pois até um general anda metido nestas embrulhadas…
Sem barba e com barba



F
agundes disfarça, tem vergonha de dizer que é apenas segundo sargento saxofone – mas sem instrumento, quer dizer, saxofone, não vá a benfeitora ficar na dúvida… – da Banda da GNR. Por isso pergunta à benemérita se sabe se há novidades do tal paneleiro, desculpe minha Senhora, queria dizer, do tal Pedro Dias, não tem que pedir desculpa, mulher séria não tem ouvidos e nos dias que correm já ninguém se importa com isso... Mas a televisão diz que o homem a quem chamam Piloto foi visto na Galiza nas aldeias de Sandias e Xinzo de Limia.



E
 quando horas depois um autocarro da Guarda o vem buscar, Fagundes deixa-se adormecer por escassos minutos, ou seja, passa pelas brasas. E continua a cismar em tudo o que aconteceu. A Guarda não está minimamente preparada para crimes daquela dimensão. Está sim para averiguar o motivo que levou um vizinho a matar um outro à sacholada. Divisão de terras, cursos de águas. Ou quando um cidadão dá cabo de outro por suspeita de estar a ser empalitado. E pouco mais.


A
 falta de coordenação entre as diversas forças no tereno, ou seja entre os comandos delas, eles próprios, andaram a apanhar papéis dando como resultado que no terreno o pessoal desamparado tivesse a sensação que andava a apanhar bonés, atrás dos jornalistas o que não deixava de ser verdade. A incrível distribuição de equipamentos, por exemplo, como já tinha referido, a falta dos coletes anti balas. E sabia-se que o fugitivo atirava a matar.

o amado saxofone



E
m resumo, conclui Fagundes, um potpourri carregado de pólvora condimentado pela incompetência, pela incapacidade, pela indecisão e pela descoordenação. Pelo menos. No que lhe toca pessoal e profissionalmente se calhar vai-lhe cair em cima um auto de averiguações, pelo menos, quiçá um corpo de delito; E, naturalmente, a família. Mas, espera também que vai ter à sua espera o seu precioso e amado… saxofone.  





2016-10-20

Governo
está
de rastos…

Antunes Ferreira
A
ndam por aí magotes de especialistas sobre orçamentos e temas que se lhes relacionam, numa demonstração evidente de que Portugal deixou de ser um país de poetas para passar a ser um país de economistas e financeiros – a maioria dos quais, infelizmente, desempregados. E uma significativa parte destes é, como habitualmente se sabe, patrocinadora da desgraça, alertadora de tsunamis económico-financeiros que vêm aí, coveira do Orçamento 2017, em suma defensora do cataclismo universal, disfarçado de democracia. Que, afinal até à data, felizmente não tem chegado

N
ão falo por falar, falo por experiência própria: em 1995 como assessor para a comunicação social do então ministro das Finanças passei 58 horas, sem dormir, no Terreiro do Paço, para acompanhar o processamento da última versão do danado OE. E não participava na elaboração do…documento. Porém, já integrei a equipa do ministro que foi à Assembleia da República entregá-lo na versão (ainda) em pastas. Futuramente teria de esclarecer os jornalistas sobre os pontos fulcrais do OE… E só vendo podia garantir a mim mesmo que depois não meteria o pé n poça…E ai de mim que não fosse capaz des responder às perguntas mais estapafúrdias: seria sujeito às maiores torturas executadas pelo Torquemada ou por um primo muito chegado a ele importado directamente da Opus Dei, sem IVA e direitos aduaneiros Muitas vezes sentiria o meu pescoço (e o resto…) a caminho do cadafalso.

Nesta foto tirada no Parlamento há umas caras...


N
outras ocasiões também gravíssimas igualmente suspeitaria de que um cuidadoso e honesto trabalhador da Camisaria Moderna (cujas camisas não fazem pregas no peito nem rugas no colarinho) já andaria de fita métrica na dextra tirando-me as medidas certas do que ainda era o meu pescoço. De noite e em pleno Estio acordaria pejado de suores frios; pelo contrário no Inverno, mesmo Inverno a sério, os suores quentes eram tão quentes que dariam para fazer uma canja  à maneira: com galinha do campo, claro, ou um cubo Maggy  

D
izem sapientes do alto das suas cátedras e dos ecrãs em que se pavoneiam que “O Governo de António Costa está de rastos, ministros e seus apoiantes parlamentares não há um só dia que não se entendam, arrastando perigosa e penosamente o poder para o precipício!!!...” Aliás, precipício há; poder é que não se deixa arrastar. Valham-nos estas novas pitonisas televisivas, estes comentadores do mais fino trato,
JGF - O Toppo Giggio português 
analistas de inspiração cavaquista “que nunca se enganam e raramente cometem erros”. Daí até à queda do Governo não custaria nada. Segundo esses iluminados seria tiro e queda.

P
orém basta uma pequena reflexão para desmontar esta “gigantesca cabala”. Se o BE e o PCP deliberassem dar cabo do que a direita chamou “gerigonça” (termo que se vai generalizando, mas de que não gosto nada) nunca mais voltariam a ter a oportunidade que hoje têm: apoiar no Parlamento um Governo. De quem? Do PSD? Do CDS? Respondam-me, por favor…      


(Este texto devidamente adaptado foi enviado
 como habitualmente aos blogues onde colaboro
 “Sorumbático” e “A Zorra da Boavista”) 

2016-10-12

Uma nova versão


  
Antunes Ferreira

W
enceslau – com W, como o pai impusera que ficasse registado na Conservatória do Registo Civil (o que não fora fácil) e no registo do baptizado na igreja de Santo Ulpiano (onde a disputa com o pároco quase chegara a vias de facto, mas, enfim, acabou-se em paz santa – andava a ler o “Triunfo dos Porcos” em inglês “Animal Farm” que o mister George Orwell tinha escrito no Reino Unido, hoje (des)Unido e publicado em 1945. (Wiwa a Vikipédia! Olá, parece-me que estou a trocar os W pelos V)

O
 nosso herói – porque Wenceslau Martinho Sequeira Samuel e Santos era sapador bombeiro e já salvara das chamas dois velhos/idosos, duas idosas/velhas, um senhor em cadeirinha de rodas, um cão pequinês pequeno, um gato Burmese (com pedigree, bom para ter em casa, de acordo com o catálogo de animais caseiros) dois canários, um papagaio que dizia olá, croc, está um calor fo..rmidável, croc, um cágado, e um prato que dizia Vista Alegre, talvez o item mais importante. Não admira, portanto, o rótulo que lhe tinha colocado: herói. Ponto.
...a escada Nagirus


P
orém o salvamento mais complexo e mais demorado fora um de uma menininha de 19 anos que vivia num quinto andar à Graça e que no calor ígneo até perdera o pijama, a tadinha. Não fora demorado, fora demoradíssimo descer a Magirus com a Emilinha ao colo, fora ela quem lho disse, e ainda conseguir apontar o número do seu telefone que ela lhe dera (para mais tarde lhe agradecer), muito agarradinha a ele, por ter acrofobia e explicar-lhe que era o medo das alturas   – e por isso já recebera duas medalhas de mérito municipal, Os cauteleiros é que a sabiam toda quando apregoavam há dias de sorte. Uns dias depois comprovou-o quando a Emilinha lhe agradeceu em casa dela. Sem fogo mas calorosamente. Pudera, ele era ou não era sapador-bombeiro? Donde, um herói verdadeiro.
 
O Grande Irmão controla-te
R
etome-se a narrativa inopinadamente interrompida, acontece, o nosso herói Wenceslau andava a ler o livro acima citado. Gostava de letras arrumadas em linhas e doseadas em parágrafos e desde que lera o “1984” apaixonara-se por Orwell e sobretudo pelo “Big Brother is Watching You” que era mais ou menos o Josef Stalin, mais conhecido pelo Zé do Bigodes vigiando toda a malta. Tudo indica que este não gostasse muito nem do livro nem da alcunha. Feitios.

S
amuel e Santos era casado com a dona Ernestina, parteira de profissão (cada vez há menos) e cantora de inspiração, pois fazia parte do coro da igreja onde casara com o Wenceslau, com W (mais um berbicacho com o oficiante, mas os dois centilitros de água benta e os cem escudos da época originaram que a bênção nupcial fora dada para os bons e para os maus momentos) e tinham três filhas. Bem tinham tentado encomendar uma pilinha, até tinham recorrido à bruxa da Arrentela, que não há santa como ela, mas népia.

A
ntes de continuar com a estória do nosso herói abro aqui uma parentética para resumir sinteticamente o “Triunfo dos Porcos”, o que parece tarefa relativamente simples – mas não é. Adiante. O mister Jones, proprietário duma quinta (farm) descuidou-se e deu pouca comida aos animais que lá existiam, o que não era invulgar. Porém desta feita, isto originou uma revolta capitaneada pelos porcos. Quem havia de dizer? Pelos porcos? Era um verdadeiro chiqueiro! Caramba! Os animais ganharam. Logo expulsaram os humanos que juraram vingança. Os bichos marimbaram-se, desataram a laborar grunhindo que nem porcos sem recibos verdes e em breve a quinta estava um brinquinho desses de pôr num altar e até elaboraram os sete mandamentos que passariam a reger a comunidade de todos os animais/condóminos:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais
.

...mas uns são mais iguais...

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O
s humanos tentaram retomar a fazenda, mas falham ignobilmente, face à determinação dos animais. Perante isso estes modificam os sete mandamentos…
4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais do que os outros.


Cquote2.svg


E
nquanto os cabecilhas comemoravam a vitória da revolução, os outros animais trabalhavam arduamente em troca de míseras rações. Ao que se assistia era um arremedo grotesco da sociedade humana, pois os agricultores vizinhos passaram a integrar as comemorações. E assim nesta visão confusa, os animais já não conseguiam distinguir os porcos dos homens. (Fim da parentética). Uma breve anotação: há especialistas que referem que isto também se aplica aos políticos, aos banqueiros e aos eclesiásticos numa promiscuidade intolerável, mas que infelizmente existe. O autor, qual Pôncio Pilatos, lava daí as suas níveas mãos e diz que que nem sim não, muito menos talvez, antes pelo contrário, quem sabe se.
 
E foi pescar

W
enceslau estava a meio da obra e também já não sabia com quantos andava se com dois pés, se com quatro. De uma coisa tinha a certeza: não estava bêbado. Nem sequer bebera uma chávena de chá verde que na publicidade dizem que emagrece; emagrece o tanas. O pobre, desanimado, deixou-se de tais leituras e das consequentes confusões. Comprou uma cana de pesca com carreto – cinco estrelas - que lhe custou a bagatela de 147 euros e 7 cêntimos c/IVA, mais linha, anzois, iscos e saco para o material bem como rede para apanhar o pescado o que resultou em mais 38, 79 € igualmente c/IVA: Morra Marta, morra farta. E foi para a Zambujeira do Mar,

C
om a Ernestina, está claro; as três raparigas para condizer, deram-lhe três negas. Porque uma tinha combinado ir com o namorado ao Oceanário (pois?) a outra tinha de fazer um trabalho para a faculdade (tá bem, dêxa???) e a terceira ia a casa duma colega para ver uns vídeos muto fixes (ora bem?!?) Na Zambujeira, diga-se, não pescou nem um mísero cachucho. Nem sequer um jaquinzinho. Entretanto a caríssima metade ia lendo a Caras onde vinha que o Mexia voltara a voltar à cama com a Guta e outros dramas existenciais que lhe originaram uma pena do caraças e até alguns soluços. Pior só a Inês de Castro. Cruel. O Pedro.
 
Venha mais outra...
D

ecidiram então ir até ao bar emborcar umas bejecas (ele) e uma coca cola Zero (ela). Como o tempo aconselhava já ia na sexta quando a mulher disse para parar, “olha que ainda apanhas a GêNêRê e tens de soprar no balão e levas uns pontos a descontar na carta...” “Qual quê? Eu não estou bêbado. Ó amigo, venha mais outra estupidamente gelada!”  Como dizia o outro para o irmão encharcado em álcool até ao tutano “tu é que bebes e eu é que tremo”. Não digam nada: o tipo não sabia que tinha Parkinson… 

2016-10-06

A Távola Redonda
e justas medievais


Na Idade Média, o rei Arthur mandou
fazer a Távola Redonda porque as
outras eram rectangulares ou quadradas

Antunes Ferreira
T
ranscorria o anno de 1469 (mais coisa, menos coisa, pois nesses tempos medievais havia apenas o calendário gregoriano mas outros subsistiam, tal como  o lunar o que orijinava uma comfuson lichada) o mister Thomas Malory que estava engaiolado em Londres, ao que se sabe o homem era inglez, farto de contar os passos da cela onde transitoriamente murava esperava elle decidiu escrever uma estória a que deu o nome de
O raio da Távola Redonda
El Rei Arthur e a Távola Redonda. Não sabia o Malory em que traballos se meteria; certo é que pellos sécullos fora nunca mais deixaram de xingá-lo. Caramba!

A
 admissom a tal clube era muito difícil, com papéis e certidons e  documentos e athestados de bõ comportamento moral e oitros que deviam ser aprezentados asinha até tantos de tal do mez de e do ano da graça de. Mais uma vez se tem de usar a theoria do arredondamento como no futuro se utilizaria para calcular o valor do euro para cada um dos paiizes que, por mal dos seus pecados, seriam os seus fundadores. A todala hora e correspondentes minutos e segundos há desgraças que são depois muito difíceis de corrijir. Vêja-se o Brexit. Que, felizmente, não é para aqui chamado.

A
rthur era o tal que seria Sua Alteza el Rei despois de arrancar de uma rocha a espada Excalibur o que ninguém conseguia fazer pois estava colada com Patex e o que o que realizasse sentar-se-ia no trono e que ninguém conseguiria fazelo até hà data. O jovem, um tanto lingrinhas, com o auxíllio do treinador coevo um tal mago
Um tal Mago Merlin
Merlin, mais conhecido pelo Jota Jota daquelie tempo, sacou o espadallão e tornou-se Sua Majestade el Rei da Inglaterra que ainda não era a cabeça do Reyno (des)Unido. Ora o dito cujo teve a lembrança de reunir um grupo de fidalgos, os sirs, para discutir as técnicas e as táticas para futuros torneios ou justas sob a sua presidência, mas com a orientação do Jot
, oops, do Merlin. E para abreviar o cunho histórico-dramático os sirs/cavaleiros ficaram-se pelos doze. Mais tarde seriom aogmentados, dizendo-se que tinham chegado aos 150, numero este nom comfirmado officialmente.

P or esses remotos tempos tinha um rapaz de seu nome Aiwwa que deu em seu pensar escruver um libro. Ideia pemsada. Ideia reallizada. Com a pena de pato foi escrevinhando y escrevinhando y escrevinhando y quando o concluyu arrajou editour que o imprimiu em letra gótica: Era um livro mui porco, mui escarrado, tratava da vida particular e da secsual de nobres mui importantes e que até puña a falar os mortos. Uu veerdaddeiro fillo da putta.

N
on contente com a merdda que fizera convidou para apresentar a obra que obrara uu tal fidalgote arruinado y ensimesmado, chamado Dom Pedro o qual disse que mesmo não tendo lido o pasquim iria apresentalo porque tinha grã considerason pelo autor que cuñecia bem. Instado sobre se iris mesmo pois o livreco era endemoinhado, reafirmou que iria mesmo porque nunca voltara com a sua pallavra atraz. Mas voltou. Dom Pedro estvera quatro anos na toca como
Bõ Coello que se preze
bõ Coello que se preze, mas dspois fora quase cassado e voltara a dar bitaites contra os que estaom no poleiro. Ua grã chatice. Logo intentou mudar de vida e resolveu Sir  ser.




H
á que dizêr que para se chegar a cavaleiro, primeiro que tudo tinha de avêr camdidatos que tinham de s’inscrevêr devidamente para despois fazer o curso para cavaleiro. Dizia-se que aquello era curso fod..., oops, lichado, com provas noturnas, sobe frio de raxar pedregulhos, ao sol a mais de 44,5 graus, em rios e ribeiros, com bestas e frechas respectivas acarretadas ao lombo dos imstroendos, e outras bestas, estas como instructores, provas de duzentas e cimcuemta milhas e a pees descalsos, curso tão duro que atee por vezes morrion alguns dos instroendos y desistiam muis. Dos sevrissos de saúde nem ee bõ falar.. 
Dos Servissos de saúde nem ee bõ falar...


N
um dia de trovoada e de chuva a caes e gatos (estava-se na Inglaterra, não se pode esquecer) o jovem Aiwwa que era peão à pata do exército do cavaleiro Nittendwe que intentara ser besteiro mas fora chumbado por falta de pontaria, pois tinha acusado estrabismo, ou mosso de estrebbaria, mas tinha mêdo de égoas, alabardeiro, mas não gosta de albardas que erom prós burros, Curioza aliteraciom. Perante tantas neggas, decidiu comandar, ser Sir Aiwwa e para tal dirijiuse ao postigo de inscrissons para os cavaleiros da tal Távola que democratticamente, o monarca decidira (por unanimmidade delle só) que seria Redonda e com lugares marcados. Mas ó ignominia, ó vitupera, ó desgraça, ó calamidade! O postigo estava fechado. Do apozento onde o postigo se achava vinha a sair um senhor de gibão verde-acinzentado com ar de tesoureiro das Finanças. O jovem Aiwwa inquiriu-o sobolo horário de funcionamento do servisso ao que o postigueiro retorquiu secammente: Depende. De quê? insistiu Aiwwa. De mim; e agora põe-te a milhas e vai chatear oitro!

C
omo não havia em mais de cem pés ao redor qualquer oitro pra chatear, o rapazotte regreçou a penates, ele próprio assaz chateado. Pelo caminho mui enxarcado começou a resmonear para os seus botons ay ele é isso; vou fornicá-lo! Vou encontrar o Santo Graal!l.
O Santo Graa
O que era um objetivo muito complicado (ainda que menor do que o de Guimarães, Deus seja louvado) pois abrira a época da caça ao cályce onde fora guardado o sangue real de Nosso Señor Jesus Cristo, Ámen, obviamente depois de morto na cruz,

M
as nem isso o Sir Aiwwa conseguiu. Perante a arruínada sorte tentou recoller-se a um convento. Mas, porra, estte tinha um letreiro à porta que dizia lotaçom esgottada!...  

(A grafya é tamto quamto possyvel a da hépoca, renegando o ezecráel futuro Acôrdo Hôtugaphyco. Ai Deus y o é!)