2022-12-23

Está aqui muito escuro

 

*Guarda-fatos um lugar de corrupção

 

Antunes Ferreira

Revolta. José Joaquim Mendes Rocha, onze anos, aluno bem-comportado, notas médias, frequentava a Escola Secundária Miguel Torga, safava-se no Inglês., mas o que não aparava eram os ataques descabelados contra o eu idolatrado Cristiano Ronaldo. Até já andara à pera com o Manel Costa, três anos mais velho do que ele (e não se saíra mal de todo, apenas um olho negro e uns arranhões sem importância, mas o sacana também levara para contar) depois dele ter dito cobras e lagartos sobre o melhor do Mundo.

 

Porém agora tinha havido aquela merda no Qatar, a selecção voltara com o rabo entre as pernas, tudo por causa do Fernando Santos que deixara no banco o Cristiano, colocando em seu lugar um tal Gonçalo Ramos – que, aliás não se portara mal, com um hat trick contra a Suíça – quando no seu entender deviam alinhar os dois juntos! Mas ir busca-lo ao banco como barco de salvação dera o que dera: um regresso miserável com palmadinhas nas costas à guisa d prémio de consolação. Foda-se!

 


O pai, Joaquim Gonçalves Martins, que era delegado de saúde dos Ultrapharma passava a semana e por vezes quinze dias fora de casa e era a esposa, Laurinda, que acompanhava o Quim Zé no dia-a-dia e principalmente no estudo. Era uma balzaquiana, 34 anos, loira oxigenada, um pedação de mulher que fora balconista no El Corte Inglés que deixara par casar com o Joaquim Martins.

 

Diziam as colegas – há sempre lingas viperinas e mal-intencionadas, invejosas, ciumentas ou puramente maldosas especialmente nos locais de trabalho – que já ia prenha do chefe da secção. Mas, pelos visos, Joaquim não ligara e tinham casado n igreja de São João de Deus, ali na Praça de Londres, ela vestida de branco com um raminho de rosas branca, ele de fato preto e gravata cinzenta.

 

Sete meses depois na “fábrica d crianços”, a Alfredo da Costa, nascera um pimpolho, “prematuro”, mas tão perfeito no acabamento que nem necessitara de incubadora: o Quim Zé. Católicos praticantes, missas dominicais, naturalmente o gaiato fora educado dentro dos princípios cristãos. Obviamente também neste particular acompanhado pela mãe Aurélia.

 

Aqui começa a cena negra desta estória onde reina o sossego e a felicidade – exceptuando o desassossego do filho perante os ataques ao seu ídolo futebolístico – que decorreu junto uma gondola do supermercado onde a Laurinda habitualmente se abastecia. Estava ela em bicos d pés a tentar alcançar uma embalagem de edulcorantes em pó na prateleira de cima e não conseguia chegar lá quando aconteceu o imprevisto.

 


Um jovem cavalheiro, alto e desempenhado, ali ao lado, adiantou-se e perguntou-lhe o que desejava. Laurinda respondeu-lhe com um meio sorriso, que não usava o açúcar por isso pretendia agarrar o pacote grande do Hermesetas. “Com certeza.” Falou o sujeito que estendeu o braço, retirou o produto e entregou-o à Laurinda: “Sempre que precisar de qualquer coisa é só contactar-me.”  E entregou-lhe u cartão d visita profissional.

 

Só então ela nem reparou que na lapela do senhor havia uma  cruz. Agradeceu-lhe enquanto ele lhe dizia que no cartão que lhe dera tinha o número do smartfone pessoal e repetiu que em caso de necessidade era só ligar-lhe. Despediram-se e foram cada um à sua vida, sem pensar mais no encontro fortuito.

 

Mas o leito solitário começava a minar a paciência e o baixo ventre da Aurélia. O recurso ao dedo não lhe acalmava o ânimo, comprou um vibrador, à sorrelfa, na Sex Shop da Rua Augusta, mas depressa se  aborreceu dele e o guardou entre as roupas intimas. E o Joaquim cada vez se ausentava mais demoradamente, as sequelas da Covid estavam p'ra durar e ela continuava em ardores aumentando dia após dia.

 

Era um Agosto muto quente e ela ao arrumar a secretária deu de cara cm o cartão de visita em cursivo Raul Silveiro Ph 912 098 732 E por que não telefonar-lhe? Ele fora tão simpático… Mas talvez tivesse alguém que? No entanto, não faria mal tentar…Tentou. Bendita a hora em que o fez. Que tal um cafezinho aqui em minha casa? Amanhã pelas cinco da tarde? Não é um chá. Como fazem os ingleses…



 

O problema era o Quim Zé que não fora aprovado ara o ATL e portanto estava em casa. O café morreu nas xicaras, as roupas caíram desmanteladas pelo chão e todo nus na cama saciavam as abstinências de ambos insofridas. Para que não assistisse a tal espectáculo sexual Laurinda prometendo-lhe mundos e fundos metera o miúdo no guarda-fatos.

 

De repente e quando estavam a ponto de atingir mais um orgasmo, ouve-se uma chave a meter-se na porta da entrada. “É o meu marido!” E para o amante: “Pega na tua roupa e sapatos e mete-te no guarda-roupa! “Assim aconteceu. Ela entrou na casa de banho, vestiu-se e foi preparar alguma coisa para comer par o marido que na pressa de voltar nem tinha almoçado.

 

Dentro do armário o puto vendo entrar um companheiro falou: “Está aqui muito escuro!” E o cavalheiro: “Schiu. Fala baixinho, podem ouvir-te.!” Quim Zé na sua: “Mas, porra, está qui muito escuro!” O cidadão, em desespero: “O que queres para estares calado?” Num sussurro, o catraio;  “Muito pouco. Uma camisola da equipa do Cristiano assinada por ele que é o meu ídolo…” Apaziguando: “Depois de amanhã vais tê-la.”

 

Saiu o Joaquim Martins para uma bica no café, saiu o senhor do guarda-fatos e por fim o Quim Zé que, dois dias depois pela CLOVO recebia a ansiada camisola. O certo é que o cagaço não lhes serviu de emenda, o desejo era mais forte e a Laurinda e o Raul persistiram nos embates ultra sensuais cada vez mais entusiásticos. E por duas vezes mais repetiu-se a cena do guarda-fatos e da chantagem do “está muito escuro” delas resultando uns calções e uma bola ambos rubricados pelo craque. Quim Zé descobrira um novo vocábulo: ccorrupção. 

 

Já em Outubro Aurélia, quando Quim Zé voltara da escola perguntou-lhe há quanto tempo não se confessava. “Não sei bem mamã, mas julgo que anda praí há uns seis meses…” Ela não se conteve: “Filho, somos bons católicos, não podes ser assim. Amanhã mesmo vais a São João de Deus e confessas-te.”

 


Ajoelhado
junto ao confessionário, Quim Zé olha em redor e comentou em voz suficientemente alta: “Está aqui muito escuro…” E o digno sacerdote levantou-se exasperado: “Não me venhas outra vez com essa!!!!!!”  




Tropeçar no Natal

Tropeço no Natal e confesso: não sei como safar-me. Trata-se duma daquelas coisas a que não se pode esquivar, parecia mal, o calendário de parede ou secretária, dos antigos, digital, dos modernos, é implacável, não se compadece com hereges como eu, manda-nos às urtigas para não ir abaixo de Braga ou mais popularmente à merda com um carrinho de mão.

Com a mesa plena de azevias, filhoses, coscorões, sonhos, fritos de abóbora, bolo-rei, bolo-rainha, lampreia de ovos, bacalhau espiritual, caril de gambas, balchão de carne de porco, sarapatel, bebinca, doce de grão, jalebi, cake à goesa, (a casa e a família são luso-indianas) é fartar não vilanagem mas ferreiragem & anexos, pois agora vem da cozinha o peru made in Pão de Açúcar que fazê-lo em casa já vai, ver se está corado ao longo da noite, uma trabalheira para a dona Raquel…É uma Alfarrobeira de cunho doméstico.

À meia-noite rasgaram-se metros de papel colorido para se trocarem as prendas da praxe. Tudo sempre igual, a imaginação gastasse com a fuga dos euros das algibeiras substituídos pela voracidade do cotão, assunto discutido à mesa por entre garfadas.

Mas o clímax está na Ucrânia, no Natal apagado, pois que o filho da putina mandou cortar a luz e por isso as casas estão às escuras. A nossa empregada ucraniana pões água na fervura: o Natal deles é apenas em Janeiro. Quem sabe, talvez até lá?... Para quê roubar-lhe a réstia de esperança?  

Tropeçarei no Ano Novo que aí vem? Pelo andar da carruagem, melhor dizendo, pelo andar dos ponteiros dos relógios, vem à superfície o meu péssimo pessimismo: será difícil ser pior deste miserável que está à beira da cova sem coveiro disponível. Nem o Papa Francisco lhe valeu. 





 

Duas imagens, a mesma felicidade

Separam-nas umas dezenas de anos e ambas – sendo a sua publicação actual – nos deixa tão enlevados como nos momentos em que foram tiradas. A primeira ocorreu na sacristia do mosteiro dos Jerónimos (para "assassinar" o registo do acto) poucos minutos depois de consumado o “crime” que iria durar todos estes anos que mencionei na nota que publiquei acima sobre o “casório”. Naturalmente é a preto e branco. A cor estava nos nossos corações.

A segunda já colorida aconteceu num dia como o de ontem ou seja de aniversário do nosso matrimónio, ainda os netos eram crianças e adolescentes. Duas gerações de Antunes Ferreiras como que a testemunhar a felicidade dos avós. Perdoar-me-ão a exibição mas o orgulho contou mais alto…




2022-12-20

 



 

Um Natal acompanhado

 

*Embebedar-se na noite da Consoada

 

Antunes Ferreira

Com um calor daqueles aquilo não era Natal não era nada. Bem se 
afadigavam  os pretos (era assim que se chamavam naqueles tempos, quais 
negros  quais quê) em transportar as enormes caixas de cartão que diziam por fora 
中國製造 小心輕放 碎片文章 目的地安哥拉 MADE IN
 CHINA MANUSEAR COM CUIDADO DESTINO ANGOLA  onde vinham as árvores
 em plástico que depois seriam decoradas com todo o tipo de bugigangas e 
iluminadas por lampadazinhas também originárias do país do país dos olhos 
em bico. 
Havia decidido “passar à peluda” em Angola para onde fora mobilizado 
depois dos massacres do Norte perpetrados pelos gajos enlouquecidos da UPA 
do Holden Roberto. Recorda-se bem da despedida dos seus familiares no cais de Alcântara, no dia 21

de Abril corria o ano de 1961, para embarcar no navio motor Niassa. A tropa ia convencida que seria um abrir e fechar de olhos pois os turras só dispunham de catanas e canhangulos. Que, diga-se, em boa verdade, ele nem sabia o que eram essas coisas.


Respondiam ao apelo do Senhor Presidente do Conselho, salvador de Portugal, que perante a barbárie discursara firmemente, aliás como era seu uso e sintetizara o que disser numa frase que ficaria para a História da Pátria: “Para Angola rapidamente e em força!” Depois da invasão de Goa e da tomada do forte de São João Baptista de Ajudá era preciso uma decisão fulgurante para iluminar a alma portuguesa!

 

Após a desmobilização, Júlio Joaquim Barreiros Periquito, desde a militança apodado de Jota Jota, arranjou logo emprego na Gomes & Gomes, irmãos, importadores e exportadores como amanuense pois antes de ter sido alistado ocupara tal lugar numa pequena empresa em Beja. Mas foi uma breve passagem; os irmãos desentenderam-se e deram com os burrinhos na água. Resultado: desemprego.  

 


Rajada de G3 podia chamar-se o corrupio de trabalhos/empregos que entraram na dança sempre com boas prestações – mas maus resultados. A crise viera, ao que parecia, melhor, ao que lhe parecia, para ficar, até que, numa tarde de sábado, no café Gelo encontrara o Vasco Valentim, seu alferes miliciano que com ele estivera preso em Alparqueiros, Goa.

 

O Vê Vê (sereno) sentados no prédio a que chamavam arranha-céus e perguntara-lhe pela vida. “Malzinha, meu alferes, descmandara vir duas Cucas e duas sandes duplas de presunto (do verdadeiro, de Chaves, não do espanhol jamulpe lá o tratamento, mas está mesmo muito bera!... A puta da crise! O terrorismo agora está no Leste, atacaram Henrique de Carvalho, a ligação com Neriquinha está muitas vezes cortada, há muita areia, encrava as armas, uma foda, meu alferes, uma ganda foda!”

 

Valentim chamara o criado preto e encomendara mais uma dose e ao mesmo tempo pedira-lhe para chamar o patrão que se encontrava no escritório atrás do recinto para lhe fazer uma proposta. Veio o senhor Bernardo Silva, parceiro de negócios do Vasco. Ambos tinham participado num conglomerado com empresários brasileiros que abrira um grande supermercado à saída de Luanda.

 

Jota Jota foi apresentado ao Bernardo e o Vê Vê sugeriu que o moço era um tipo porreiraço, tinham sido camaradas na tropa, referiu até a prisão em Goa, se não fosse o general Governador Geral Vassalo e Silva se calhar não estavam ali para falar  combinar uma proposta: contratar o Júlio para o supermercado como fiscal geral do pessoal.

 


Seria necessário ouvir os outros três membros do Conselho de Administração, mas eles eram mais ou menos um pouco verbos de encher. E logo na segunda-feira seguinte o Jota Jota tomou posse do cargo, mais precisamente no dia 19 de Novembro, com as festas a bater à porta. Com os dias a galopar e a camisa de Macau ensopada de suor Periquito não tivera um momento de descanso. Para além das mercadorias normais – o supermercado era mesmo super, tinha tudo, até um sector de venda de automóveis e respectivas peças sobressalentes – eram todos os artefactos próprios da época natalícia e do fim-do-ano. Engalanado a preceito, era um festival de cores, de luminárias e de festóes alusivos. 

 


Não obstante quando experimentara pela primeira vez uma lata de spray que esguichava flocos de neve de plástico ficara profundamente embezerrado. Até a neve estava “engarrafada”; pudera com aquela caloraça não podia ser de outra maneira. E os dias iam correndo num contrarrelógio fulminante se dar tempo a mais pensamentos a não ser como passar mais un Natal sozinho.

 

Talvez uma carraspana, daquelas de caixão à cova, ajudasse, já que não conseguira arranjar “encosto” apesar das frequentes marrabentas nos bailaricos de musseques que só davam noites de cama esporádicas e esporrádicas e “você és um branco purrêrro com quem eu gosta muto de dormir mas eu sabe você não vais casar com esta preta, vais na igreja com uma brana, não podes tr mulato no família, a vida ´muto madrasta eu vou ivar uito triste,tu nem o Natal ficar comido, aiué!"


Foi parar à Pensão Esmeralda onde tinha quarto alugado, eram nove horas da noite de 24, já devidamente alcoolizado e â chegada deparou com um outro hóspede, o Mendonça da drogaria Carmona que se lhe dirigiu: “Ó Barreiros isso nem parece seu, embebedar-se na noite da Consoada! Vá deitar-se, homem, curta o vinho na cama e não arme maka!” O que ele havia de demonstrar Jota Jota: este levou o braço direito atrás e zás! – ferrou-lhe um directo nas fuças!

 


Mendonça não se ficou. Engalfinharam-se. Pareciam lutadores do vale tudo. Dona Esmeralda bem tentou acalmá-los, o filho dela, o Manelzinho bem tentou separá-los, levou uma tapona, veio a polícia, esquadra, grades, meia-noite, uma cela cheia, porra! – ao menos passava o Natal acompanhado!

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Sporting-5 Braga-0

 


*Uma noite fabulosa em Alvalade

 Injustiças sempre as houve e sempre as ouvi – algumas razoáveis mas a maioria sem fundamento algum. Porquê este introito? Qual o seu principal motivo? Refiro-me tão só à minha filiação clubística.

Chamam-me masoquista. Seja. Mas, c’os diabos, porquê? Por que bulas o epitete? Muito simples: porque sou sportinguista! E com muita honra.

Quem me meteu o vírus-Sporting no sangue foi o meu tio/padrinho Armando Antunes, primeiro sargento da Aeronáutica (daí o meu nome completo: Henrique ARMANDO Antunes Ferreira) que me levou ao extinto campo de futebol no Campo Grande onde assisti a coisas de abrir a boca com espanto.

Vi jogar os cinco violinos: Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travassos e Albano. Vi um dos melhores guarda-redes chamado João Azevedo jogar a segunda parte duma partida conta o Porto com um braço ao peito!!!

Vivi eufórico os largos anos em que conquistámos tudo o que havia para ganhar; assisti no velho Alvalade à vitória por 5-0 (impensável) sobre o Manchester United em 1963 para a Taça das Taças europeia. Permaneci sofrendo calado o largo período de abstenção do campeonato.

Mas ontem, segunda-feira, 19 de Dezembro, tirei a barriga de misérias. No televisor vi o meu Sporting . e só na primeira parte – arrumar o Braga com uns espantosos 5-0! Aos 4 minutos marcava-se o primeiro golo e o segundo aos 12. Numa enfiada chegou-se aos 5-0 antes do intervalo. A segunda parte foi apenas jogada porque tinha de ser… AF

  

2022-12-15

  


O Diluvio 

Universal

*Os chatos da companhia 

das águas

 

Antunes Ferreira

As melhores iscas com elas que já comi na minha vida são as do Damasceno Vitoriano (raio de nome de cabo-verdiano nado e criado na Cidade Velha da ilha de Santiago e baptizado na igreja da Nossa Senhora do Rosário, construída em 1495, a mais antiga igreja colonial do mundo. E se forem acompanhadas por um Manipango tinto da ilha do Fogo não sei se vos diga, não sei se vos cante. É que se trata de um néctar de mastigar para apreciar e resolver-se numa sesta a preceito depois de rapado o tacho das iscas e terminado o repasto com um grogue à maneira.

 

Por vezes o Damasceno, o Mesquita angolano (que já citei nestes arrazoados), o Bentes moçambicano e o Noé Mascarenhas damanense juntávamo-nos no Sabores de Goa para apreciar uns picantes e à baila falarmos de pingas. Como já tive oportunidade de explicar três anos ou pouco mais afastaram-me desse excelente convívio. Mas, há quinze dias sentámo-nos de volta. E, podem crer, o dr. Vitoriano (o gajo é ginecologista) trouxe uma garrafa caseira de Manipango.

 

Conversa puxa conversa, tal como as cerejas e o Mesquita atacou risonho o Noé: “Se o teu xará bíblico ao sair da arca se tivesse agarrado uma carraspana deste tinto seriam necessários todos os filhos para o acordar e assim poder chegar aos 950 anos… O assunto bem interessante mexia comigo – e muito, pois como julgo que muito bem sabem entre os múltiplos temas culturais que tento abarcar (não sou uma Wikipédia, longe disso) a História e as suas milhentas estórias que são o seu “recheio” – o assunto, dizia, levou-me a comunicar ao grupo eu próprio me iria atirar de cabeça ao Noé, ao Diluvio, ao Velho Testamento e em apêndice ao falecido cantor Roberto Leal, um autodidata de nome que fez a ponte a cantar entre Portugal onde nascera e o Brasil para onde emigrara com doze anos, pai, mãe e mais oito irmãos.

 


O mérito a quem o merece. Nunca se tendo afirmado intelectual, Roberto Carlos  Roberto Leal, nome artístico de António Joaquim Fernandes,  foi um cantor, compositor e ator português radicado no Brasil. Era considerado embaixador da cultura portuguesa no país irmão. Ao longo da carreira de mais de 45 anos, ganhou trinta discos de ouro, além de cinco de platina e quinhentos troféus – e  de acordo com diferentes fontes as suas vendas totais somam 15 milhões ou até 25 milhões de dólares

 

Chamo para aqui o seu nome devido a uma canção popularíssima de sua autoria e por ele interpretada (o que sempre acontecia nas suas actuações), canção essa que é mais um vira em que ele homenageia o vinho verde:

Ai! verdinho, meu verdinho
Já saíste da videira (bis)

Escorrega devagarinho
Apaga-me esta fogueira (bis)

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)

Ai! verdinho, meu verdinho
Ouve bem o que te digo (bis)

Não há pedras no caminho
Quando tu andas comigo

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)

Ai! verdinho, meu verdinho
Só tu és o meu amor (bis)

Só o verde bem verdinho
Vai à mesa do senhor (bis)

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)

Ai! verdinho, meu verdinho
Esquecer-te não há maneira (bis)

Tu prá mim és pão e vinho
E cor da minha bandeira

Que importa o verde ser verde
Se nos faz cantar na rua

Ai! verdinho, meu verdinho
Não há cor igual à tua (bis)!!!”

Este tema das águas numa altura como esta em que as inundações por todo o país dão cabo das pessoas e dos bens relembrar o Dilúvio Universal parece-me ter todo o cabimento. Porém tenho de deixar aqui um alerta: ninguém pense que me julgo uma panaceia para os gravosos danos causados pelos caudais de águas que não foram atempadamente previstos. Talvez os que mandavam em tempos idos na Companhia das Águas fujam com o rabo à seringa…




 

 Não quer o escriba acocorado alinhavar a narrativa sobre um dilúvio encontrada no Génesis da Biblia Hebraica, Deus decide inundar a terra por causa da profundidade do estado pecaminoso da humanidade. O justo (aquele que segue as diretrizes divinas) Noé recebe instruções para construir uma arca. Quando a arca é concluída, Noé chama a sua família e representantes de todos os animais da Terra para embarcar.

 

Pode fazer-se uma ideia das filas monstruosas que se formaram. Os textos bíblicos não possuem quaisquer traços de reportagem, segundo a minha adolescente opinião. São apenas relatos factuais como dados lançados num livro de escrituração comercial. Não é que eu tivesse visto ou escrito algum, mas seguia o que me contavam quem sabia mais a dormir do que outro acordado.

 

Continuo a pesquisar pois as coisas vão-se tornando cada dia mais interessantes, No momento em que escolhera enveredar pelo caminho que tomara não previra o desenvolvimento que estava a surgir a cada momento. Quando o dilúvio destrutivo começa, toda a vida do lado de fora da arca perece. Após as águas baixarem, todos aqueles a bordo desembarcam e têm a promessa de Deus de que Ele nunca vai punir a Terra com um novo dilúvio. E deu o arco-íris como sinal desta promessa.




 

Embora não lograsse encontrar muitas fontes fiáveis a cerca de dois terços da minha investigação deparei-me com um nome que originou uma busca mais pormenorizada, o arcebispo James Ussher (*). Segundo ele, aparentemente, Noé nasceu em 2 948 a.C. e morreu com 950 anos (?????) em 1 998 a.C.. Os seus três filhos mais conhecidos eram SEM, Cam ou Cã e Jafé. A mulher de Noé (Génesis 6:18; 7:7, 13; 8:16, 18), segundo a tradição judaica não bíblica, chamava-se Noéma (Na'amah - cheia de beleza) e era cananita.

 

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 (*) No livro dos Jubileus, o seu nome é conhecido por Enzara e seria só James Ussher ou simplesmente Usher (Dublin, 4 de Janeiro de 1582 - 21 de Março de 1656) e foi um Arcebispo de Armagh. Baseando-se na Bíblia, escreveu o livro “The Annals of the World” em 1658. Nele, Ussher fez uma cronologia da vida na Terra baseada em estudos bíblicos e de outras fontes, de tal maneira que concluiu que a criação do Mundo ocorreu no dia 23 de Outubro do ano 4004 antes de Cristo (a. C.) pelo calendário Juliano. Na época, a afirmação foi amplamente aceite.


A cronologia de Ussher representou um feito considerável de erudição: exigiu grande profundidade de aprendizagem do que era então conhecido da história antiga, incluindo a ascensão dos persas, gregos e romanos, bem como conhecimento da Bíblia, línguas bíblicas, astronomia, calendários antigos e cronologia. O relato de Ussher de eventos históricos para os quais ele tinha várias fontes além da Bíblia geralmente está de acordo com as fontes modernas - por exemplo, ele situou a morte de Alexandre, o Grande em 323 a.C. e a de Júlio César em 44 a.C.

 

 A última coordenada não bíblica de Ussher foi o rei babilónico Nabucodonosor e, além desse ponto, ele teve que confiar em outras considerações. Confrontado com textos inconsistentes da Tora, cada um com um número diferente de anos entre o Dilúvio e a Criação Ussher escolheu a versão Massorética, que afirma uma história ininterrupta de transcrição cuidadosa que remonta a séculos - mas sua escolha foi confirmada para ele, porque colocava a Criação exactamente quatro mil anos antes do ano 4 a.C., a data geralmente aceita para o nascimento de Jesus. Além disso, ele calculou que o templo de Salomão deve ter sido concluído no ano 3000 desde a criação, de modo que houve exatamente mil anos do templo a Jesus, que se pensava ser o 'cumprimento' do Templo.

 

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Retorno agora à famosa arca construída pelo Noé posteriormente conhecido pelo seu amor ao sumo das uvas devidamente “preparado”. A quantidade de animais (sem marcação ou reserva) que nela iam entrando era a prova da expressão mais que muitos ficava muito além da realidade. As quezílias deviam ser permanentes bicos-de-obra e ainda por cima não havia ao que me constava bilheteiras ou muito menos agências de vendas oficiais.

 



Portanto, Noé, ainda sóbrio, ia controlando os pares que depois das águas desaparecerem (quando Deus retirasse a rolha da ciclópica banheira em que Ele transformara a Terra) pudessem – e devessem fodi…, digo, fornicar para repovoar o orbe terráqueo, quando num sobressalto medonho mandou parar o desfile. Pasmo geral. Coisa simples e explicável: era um casal de carunchos que se aprestava para entrar; a mamutica embarcação nem um piu daria com aqueles insectos roedores a bordo…




O adeus de Fernando Santos

 

Antunes Ferreira

Não é de hoje que os que ainda resistem ou andam distraídos me leem sabem que não aprecio o engenheiro eletrotécnico Fernando Manuel da Costa Santos, ex-seleccionador/treinador nacional da equipa de futebol das sete quinas. Não é que ponha em causa a sua competência profissional; é. sim, pela atitude que habitualmente assume no banco: aparentemente resignado com o que se está a passar no relvado e só em raros momentos mostrar alguma exaltação.

 

Depois existe um factor eu alta aos olhos mesmo a um treinador d sofá como é o meu caso, mante do futebol mas do qual, julgando perceber – ou mesmo saber – “umas coisas” (a minha praia, como agora se diz, foram o râguebi e a natação de competição que pratiquei) do futebol sou dos que descobriram que Fernando Santos é padrinho. Como assim?

 

Para mim, é sim, senhores, há afilhados, isto é jogadores que têm sempre lugar no time mesmo que não estejam no seu melhor nas equipas onde estão; dispenso-me de dar exemplos tão flagrantes eles são. Reconheço, no entanto, que teve e tem a coragem de ao longo do seu também longo mandato lançou muitos jovens o que é meritório e represente um saldo positivo. Mas, para mim, não basta. De uma coisa, porém, não pode ser apontado: não é corrupto!

 

O dinheiro não tem sabor nem cheiro. Mas sabe muito bem. Disse alguém que não conhecia ninguém que tivesse chegado a milionário a trabalhar. Estava errado, pelo menos por defeito. Estou abordando o tema futebolístico. Olhe-se então para o mundo do futebol  mais atentamente para o Qatar onde no domingo termina o Mundial 2022. Como foi lá ‘parar a maior?

 


E logo surge o nome d Joseph Blatter, o ex-presidente da Federação Internacional e Futebol (FIFA) com o qual os dirigentes ditatoriais do emirado acertaram a realização do maior evento futebolístico mundial no país para lavar a cara internacionalmente ao regime – e conseguiram-no. Nos dias que correm que dizer do comportamento ainda em relação com o Qatar da grega Eva Kali uma das vice-presidentes do Parlamento Europeu, agora em prisão preventiva?

 

Por essas e por outras a saída de Fernando Santos deve ser registada seriamente e com a devida nota, mas ressalvando que ela nada tem que ver com dinheiros ilegalmente metido na sua(s) conta(s) bancária(s). Porém, já depois de escrito este texto descobri duas coisas que me apresso agora mesmo a acrescenar. O acordo estabelecido com a Federação Portuguesa de Futebol incluiu o pagamento a Santos a quantia de SETE MILHÕES DE EUROS pela antecipação do final do contato de trabalho que ia até 2024. Tudo bem, é a lei.. Mas e aí é que tenho sérias reservas também foram perdoadas ao ex-trabalhador TODAS AS DÍVIDAS FISCAIS que ee tinha!!!!  Essa agora? Então um "funcionário público" vive tranquilo com dívidas ao Estado? "No comments" - diria o "velho" Jimmy Hagan. Daí que transcreva a breve publicada pela revista senal “Visão”:     

 

«Adeus, Mister! Depois de uma derrota nos quartos de final do Mundial2022, e dois jogos em que deixou Ronaldo no banco, Fernanando Santos deixou o comando técnico da selecção portuguesa. Foram oito anos à frente da equipa das ‘quinas’, com sucessos e alguns amargos de boca. “Além dos títulos conquistados, Fernando Santos tornou-se o selecionador com mais jogos e mais vitórias. Foi uma honra ter podido contar com um treinador e uma pessoa como Fernando Santos na liderança da seleção nacional”, refere a Federação Portuguesa de Futebol em comunicado. Em 109 jogos, Fernando Santos conseguiu 67 vitórias, 23 empates e 19 derrotas. Agora, começam a surgir nomes alternativos. Quem será o senhor que se segue?  José Mourinho está na linha da frente dos favoritos.»

Sinceramente não acredito que Mourinho aceite tal incumbência. Primeiro porque já disse que só o faria lá para o final da sua carreira (salvo erro ou omissão d minh parte); segundo porque não viria meter-se num ninho de víboras – pois o que não falta por cá são serpentes venenosas…