2016-12-31

O velho

e o novo


Antunes Ferreira

O

 miúdo era muito especial: usava fraldas descartáveis trazia uma chupeta – mas andava em pé e falava “fluentemente”. Tinha um ar de quem vinha a chegar e pelos vistos chegava mesmo. Mas estava perplexo. Na parede frontal havia um calendário pendurado com a última página prestes a ser arrancada. Era um modelo já velhote, fora uma oferta das festas do ano anterior dum restaurante chinês.


P
or isso ostentava um dragão pintado a vermelho. Daqueles típicos do Império do Meio, com colinas nevadas ao fundo e dizeres que não se entendiam, salvo naturalmente pela gente que trabalhava no restaurante. Porque, como se podia ver o que estava escrito era em chinês e um dia um cliente que ali fora pela primeira vez comentara que obviamente não se entendia nada daquilo, nem usando a tradicional paciência… chinesa.

Um calendário chinês


R
eparou o menino que o calendário lhe ficava à mão e por isso agarrou-o; mas não, não o agarrou, porque ele subiu um pouco e “fugiu”. Franziu o cenho o gaiato, mas o que é que se passava? Embora fosse criança era muito especial, como logo no princípio se disse, racionava perfeitamente, não havia hiatos na sua linha de pensamentos, mau, ali havia marosca um calendário não andava muito menos subia por uma parede, capaz disso só as osgas. 


P
or isso foi buscar um banco para tentar chegar ao calendário. Mas quando lhe ia deitar a mão o danado fugia. Era portanto um calendário foleiro, e o puto tinha de o agarrar para o deitar fora porque estava fora do prazo de validade. Mas nem com o banco o agarrava. Seguiu-se uma mesa, depois um escadote e o miserável sempre a subir e a fugir.

David e Golias


F
inalmente o ganapo descobriu o truque: não era uma parede, era um muro, no alto do qual escarranchado estava um velho carregado de rugas, ou um monte de rugas a fingir de velho que puxava o calendário com um fio de náilon que lhe estava atado e ria-se às gargalhadas desdentadas. O jovem lembrou-se da estória do David e do Golias, mas não tinha ali uma funda. Mas tinha um smartfone que tirou da fralda e emitiu com ele um som ultra.


O

 velho retorceu-se, não estava preparado para modernices, desequilibrou-se e caiu do outro lado do muro com o calendário. O garoto sem oposição subiu ao cimo do muro e pôde ver que desse outro lado só havia o nada. Nem Velho, nem calendário nem nada. Desceu e tirou da fralda um calendário super sofisticado com antena própria que o fazia mover pelo sol e colocou-o no muro, muito satisfeito. Ao longe um sino qualquer começou a bater doze badaladas. E o catraio, muito prevenido, tirou da fralda doze passas de uva e foi-as comendo ao som do sino. Bendita fralda que trazia tudo e que pertencia ao ano novo – 2017.

33 comentários:

  1. Um texto divertido e cheio de simbologia.
    Um ano de 2017 cheio de tudo o que é BOM.
    Beijos.

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    1. Querida Gracitamiga

      Poizé - uma forma "diferente" de ver o ano passar. Há quem lhe ache graça: pelos vistos é o teu caso...

      Muito obrigado e um 2017 menos mau que o 2016 (que felizmente, para mim, já acabou...

      Qjs do Henrique, o Leãozão

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  2. Boa tarde, sempre com belos textos, é só para quem sabe os sabe criar.
    Bom ano, amigo!
    AG

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    1. Caro Antóniamigo

      Estragas-me com mimos. Vou fazendo o que posso na escrita. Também se o não fizera seria uma desgraça, pois alinhar palavras foi, é e será o meu ofício...

      Muito obrigado

      Abç do Henrique, o Leãozão

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  3. Feliz 2017

    gosto do seu sentido de humor.
    Bjos

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    1. Querida Larissamiga

      Muito obrigado pela tua visita e pelo teu voto de feliz 2017.

      Já fui visitar o teu blogue. Não sei o que diga. Um homem com 75 anos ainda se entusiasma... É só. Vou de novo passar por lá para comentar....

      Qjs do Henrique, o Leãozão

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  4. Que seja um Ano Fabuloso, FerreirAmigo!
    Grande abraço para ti, beijinhos para a Raquel

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    1. Caro Coimbramigo

      Muito obrigado pelos teus votos que retribuo.

      Triqjs às tuas e abç para tu

      Henrique, O Leãozão

      Porto e Sporting unidos na mesma desgraça de árbitros...

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  5. Gostei muito Henriqueamigo! essa das gargalhadas desdentadas está o máximo! todos queremos apanhar o calendário, e impedir que lhes tirem as folhas, mas elas rapidamente ficam fora de prazo, que azia!!!
    haja saúde e dinheiro para fraldinhas novas !
    bom ano, felicidades e muito amor
    Angela

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    1. Querida Angelamiga

      Por vezes saem ao autor expressões que as/os leitoras/es e as/os comentadoras/es apreciam como é o teu caso.Calendriers et auteurs ils sont des types tissés. là pour leur donner hors parce qu'ils sont fous. Et de calendrier et de fou tous les avons un :-) bit)))))

      Qjs do Henrique le Grand Léon

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  6. AVISO

    NA QUINTA-FEIRA, DIA 5, E COMO HABITUALMENTE, SEGUIMOS PARA GOA PARA GOZAR O SOL, OS 31 GRAUS E OS 28/29 GRAUS NAS ÁGUAS DO ÍNDICO. POR ISSO VAI VERIFICAR_SE UM LAPSO DE PRODUÇÃO NA "NOSSA TRAVESSA" AINDA QUE QUANDO O PUDERMOS FAZER SAIA UM TEXTÌCULO LOCAL: VOLTAMOS A 4 DE ABRIL. JULGAVAM QUE SE LIVRAVAM DE MIM...

    ADEUS, ATÉ AO MEU REGRESSO...
    QJS & ABÇS

    HENRIQUE, O LEÃOZÃO

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  7. Respostas


    1. 31 de Março - Em Goa onde tínhamos programado (o que comuniquei às comentadoras e aos comentadores) passar mais umas belas férias. Afinal infelizmente isso não aconteceu! Resumo: passei (ámos) três meses de “férias”(?????) e as coisas não correram bem, antes pelo contrário; uns problemas de saúde (meus) - ainda que bastante graves (Ver abaixo sff) - deram origem a situação pouco feliz - que ainda persiste, mas que felizmente vai melhorando dia a dia. Irei escrevendo quando tiver a cabeça mais arrumada... Além disso no local onde estávamos não havia ligação Internet...


      ******


      1 de Abril - Parece-me que vou melhorando da recaída que tive da depressão bipolar - com ela terei de viver até ao forno crematório, pois é doença incurável. Por prescrição da minha psiquiatra Dr. Alice Nobre (a quem chamo a minha “Santa da Ladeira”) todos os dias tomo as mezinhas para o mal estar estabilizado, o que vem acontecendo.

      Vou pois andando devagarinho (sempre são 75 aninhos...) e um destes dias volto a publicar umas linhas. Aproveito para agradecer a todas/os que me acompanharam nestes momentos menos fáceis, ou seja mais duros, e sobretudo à Grande Mulher, a minha querida Raquel, que me amparou, cuidou de mim, me amou como sempre, enfim teve a paciência de me aturar...


      Da “viagem” de volta tão má ela foi que nem vale a pena contar mas, ressalto que tínhamos pedido assistência ou seja duas cadeiras de rodas, uma para mim e outra para a Raquel: as maleitas dificultavam a nossa mobilidade ou seja andar a pé, apenas registo o pior: vente e nove dias e meio de Dabolim (o aeroporto de Goa) até ao aeroporto General Humberto Delgado, com paragens em tudo que era sítio, incluindo nove horas e meia de espera no aeroporto de Mumbai (antiga Bombaim…), com um frio de rachar pedras pois a malta da Índia adora o ar condicionado próximo do polar…. Estavam previstas cinco horas e meia… Mas havia as ditosas cadeiras…

      A Jet Airways – uma desgraça. Comida - péssima, atendimento - mau, tripulantes de cabina – trombudos. Em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle apenas nos apareceu uma cadeira de rodas porque não havia as suficientes para acorrer aos serviços marcados, remarcados, computorizados. Não foi a primeira vez que ali isso aconteceu, maldita desorganização de uma empresa em “outsoursing” – não havia as desgraçadas cadeiras de rodas à nossa espera. Disseram-me que eram insuficientes porque eram muito caras e o acordo não tinha sido orçamentado…

      Perdi a cabeça, explodi e fartei-me de protestar; enfim veio uma – para mim – e a da Raquel perdera-se (quiçá no nevoeiro qual D. Sebastião…): Logo a minha caríssima esposa teve de palmilhar os “quilómetros” de corredores, etc. E note-se que nos próprios bilhetes estava tudo mencionado, reforçado com as comunicações feitas pela agência de viagens TopTours (impecável) Enfim uma puta de uma viagem; não torno (amos) a cair noutra...


      Qjs & abçs
      Henrique, o Leãozão


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  8. A tua escrita é sempre empolgante, FerreirAmigo.
    Desejo-te uma excelente estadia em Goa, e que este "novo" ano corresponda, em muito, aos teus anseios!

    Abraço

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    1. 31 de Março - Em Goa onde tínhamos programado (o que comuniquei às comentadoras e aos comentadores) passar mais umas belas férias. Afinal infelizmente isso não aconteceu! Resumo: passei (ámos) três meses de “férias”(?????) e as coisas não correram bem, antes pelo contrário; uns problemas de saúde (meus) - ainda que bastante graves (Ver abaixo sff) - deram origem a situação pouco feliz - que ainda persiste, mas que felizmente vai melhorando dia a dia. Irei escrevendo quando tiver a cabeça mais arrumada... Além disso no local onde estávamos não havia ligação Internet...


      ******


      1 de Abril - Parece-me que vou melhorando da recaída que tive da depressão bipolar - com ela terei de viver até ao forno crematório, pois é doença incurável. Por prescrição da minha psiquiatra Dr. Alice Nobre (a quem chamo a minha “Santa da Ladeira”) todos os dias tomo as mezinhas para o mal estar estabilizado, o que vem acontecendo.

      Vou pois andando devagarinho (sempre são 75 aninhos...) e um destes dias volto a publicar umas linhas. Aproveito para agradecer a todas/os que me acompanharam nestes momentos menos fáceis, ou seja mais duros, e sobretudo à Grande Mulher, a minha querida Raquel, que me amparou, cuidou de mim, me amou como sempre, enfim teve a paciência de me aturar...


      Da “viagem” de volta tão má ela foi que nem vale a pena contar mas, ressalto que tínhamos pedido assistência ou seja duas cadeiras de rodas, uma para mim e outra para a Raquel: as maleitas dificultavam a nossa mobilidade ou seja andar a pé, apenas registo o pior: vente e nove dias e meio de Dabolim (o aeroporto de Goa) até ao aeroporto General Humberto Delgado, com paragens em tudo que era sítio, incluindo nove horas e meia de espera no aeroporto de Mumbai (antiga Bombaim…), com um frio de rachar pedras pois a malta da Índia adora o ar condicionado próximo do polar…. Estavam previstas cinco horas e meia… Mas havia as ditosas cadeiras…

      A Jet Airways – uma desgraça. Comida - péssima, atendimento - mau, tripulantes de cabina – trombudos. Em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle apenas nos apareceu uma cadeira de rodas porque não havia as suficientes para acorrer aos serviços marcados, remarcados, computorizados. Não foi a primeira vez que ali isso aconteceu, maldita desorganização de uma empresa em “outsoursing” – não havia as desgraçadas cadeiras de rodas à nossa espera. Disseram-me que eram insuficientes porque eram muito caras e o acordo não tinha sido orçamentado…

      Perdi a cabeça, explodi e fartei-me de protestar; enfim veio uma – para mim – e a da Raquel perdera-se (quiçá no nevoeiro qual D. Sebastião…): Logo a minha caríssima esposa teve de palmilhar os “quilómetros” de corredores, etc. E note-se que nos próprios bilhetes estava tudo mencionado, reforçado com as comunicações feitas pela agência de viagens TopTours (impecável) Enfim uma puta de uma viagem; não torno (amos) a cair noutra...


      Qjs & abçs
      Henrique, o Leãozão


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  9. Espero que tudo esteja a correr bem em Goa e que esteja bem.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
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    1. 31 de Março - Em Goa onde tínhamos programado (o que comuniquei às comentadoras e aos comentadores) passar mais umas belas férias. Afinal infelizmente isso não aconteceu! Resumo: passei (ámos) três meses de “férias”(?????) e as coisas não correram bem, antes pelo contrário; uns problemas de saúde (meus) - ainda que bastante graves (Ver abaixo sff) - deram origem a situação pouco feliz - que ainda persiste, mas que felizmente vai melhorando dia a dia. Irei escrevendo quando tiver a cabeça mais arrumada... Além disso no local onde estávamos não havia ligação Internet...


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      1 de Abril - Parece-me que vou melhorando da recaída que tive da depressão bipolar - com ela terei de viver até ao forno crematório, pois é doença incurável. Por prescrição da minha psiquiatra Dr. Alice Nobre (a quem chamo a minha “Santa da Ladeira”) todos os dias tomo as mezinhas para o mal estar estabilizado, o que vem acontecendo.

      Vou pois andando devagarinho (sempre são 75 aninhos...) e um destes dias volto a publicar umas linhas. Aproveito para agradecer a todas/os que me acompanharam nestes momentos menos fáceis, ou seja mais duros, e sobretudo à Grande Mulher, a minha querida Raquel, que me amparou, cuidou de mim, me amou como sempre, enfim teve a paciência de me aturar...


      Da “viagem” de volta tão má ela foi que nem vale a pena contar mas, ressalto que tínhamos pedido assistência ou seja duas cadeiras de rodas, uma para mim e outra para a Raquel: as maleitas dificultavam a nossa mobilidade ou seja andar a pé, apenas registo o pior: vente e nove dias e meio de Dabolim (o aeroporto de Goa) até ao aeroporto General Humberto Delgado, com paragens em tudo que era sítio, incluindo nove horas e meia de espera no aeroporto de Mumbai (antiga Bombaim…), com um frio de rachar pedras pois a malta da Índia adora o ar condicionado próximo do polar…. Estavam previstas cinco horas e meia… Mas havia as ditosas cadeiras…

      A Jet Airways – uma desgraça. Comida - péssima, atendimento - mau, tripulantes de cabina – trombudos. Em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle apenas nos apareceu uma cadeira de rodas porque não havia as suficientes para acorrer aos serviços marcados, remarcados, computorizados. Não foi a primeira vez que ali isso aconteceu, maldita desorganização de uma empresa em “outsoursing” – não havia as desgraçadas cadeiras de rodas à nossa espera. Disseram-me que eram insuficientes porque eram muito caras e o acordo não tinha sido orçamentado…

      Perdi a cabeça, explodi e fartei-me de protestar; enfim veio uma – para mim – e a da Raquel perdera-se (quiçá no nevoeiro qual D. Sebastião…): Logo a minha caríssima esposa teve de palmilhar os “quilómetros” de corredores, etc. E note-se que nos próprios bilhetes estava tudo mencionado, reforçado com as comunicações feitas pela agência de viagens TopTours (impecável) Enfim uma puta de uma viagem; não torno (amos) a cair noutra...


      Qjs & abçs
      Henrique, o Leãozão


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  10. Olá, Henrique.
    Boa estadia aí por terras do bom camarão tigre, da bela gastronomia goesa, das praias de água caliente e areia fresca.
    Desejo que estejam bem e regressem revigorados e felizes.
    Feliz Ano 2017 !

    Um abraço para ambos.

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    1. 31 de Março - Em Goa onde tínhamos programado (o que comuniquei às comentadoras e aos comentadores) passar mais umas belas férias. Afinal infelizmente isso não aconteceu! Resumo: passei (ámos) três meses de “férias”(?????) e as coisas não correram bem, antes pelo contrário; uns problemas de saúde (meus) - ainda que bastante graves (Ver abaixo sff) - deram origem a situação pouco feliz - que ainda persiste, mas que felizmente vai melhorando dia a dia. Irei escrevendo quando tiver a cabeça mais arrumada... Além disso no local onde estávamos não havia ligação Internet...


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      1 de Abril - Parece-me que vou melhorando da recaída que tive da depressão bipolar - com ela terei de viver até ao forno crematório, pois é doença incurável. Por prescrição da minha psiquiatra Dr. Alice Nobre (a quem chamo a minha “Santa da Ladeira”) todos os dias tomo as mezinhas para o mal estar estabilizado, o que vem acontecendo.

      Vou pois andando devagarinho (sempre são 75 aninhos...) e um destes dias volto a publicar umas linhas. Aproveito para agradecer a todas/os que me acompanharam nestes momentos menos fáceis, ou seja mais duros, e sobretudo à Grande Mulher, a minha querida Raquel, que me amparou, cuidou de mim, me amou como sempre, enfim teve a paciência de me aturar...


      Da “viagem” de volta tão má ela foi que nem vale a pena contar mas, ressalto que tínhamos pedido assistência ou seja duas cadeiras de rodas, uma para mim e outra para a Raquel: as maleitas dificultavam a nossa mobilidade ou seja andar a pé, apenas registo o pior: vente e nove dias e meio de Dabolim (o aeroporto de Goa) até ao aeroporto General Humberto Delgado, com paragens em tudo que era sítio, incluindo nove horas e meia de espera no aeroporto de Mumbai (antiga Bombaim…), com um frio de rachar pedras pois a malta da Índia adora o ar condicionado próximo do polar…. Estavam previstas cinco horas e meia… Mas havia as ditosas cadeiras…

      A Jet Airways – uma desgraça. Comida - péssima, atendimento - mau, tripulantes de cabina – trombudos. Em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle apenas nos apareceu uma cadeira de rodas porque não havia as suficientes para acorrer aos serviços marcados, remarcados, computorizados. Não foi a primeira vez que ali isso aconteceu, maldita desorganização de uma empresa em “outsoursing” – não havia as desgraçadas cadeiras de rodas à nossa espera. Disseram-me que eram insuficientes porque eram muito caras e o acordo não tinha sido orçamentado…

      Perdi a cabeça, explodi e fartei-me de protestar; enfim veio uma – para mim – e a da Raquel perdera-se (quiçá no nevoeiro qual D. Sebastião…): Logo a minha caríssima esposa teve de palmilhar os “quilómetros” de corredores, etc. E note-se que nos próprios bilhetes estava tudo mencionado, reforçado com as comunicações feitas pela agência de viagens TopTours (impecável) Enfim uma puta de uma viagem; não torno (amos) a cair noutra...


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      Henrique, o Leãozão


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  11. Não tem postado. Espero que tudo esteja bem convosco!

    Beijinhos

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    1. 31 de Março - Em Goa onde tínhamos programado (o que comuniquei às comentadoras e aos comentadores) passar mais umas belas férias. Afinal infelizmente isso não aconteceu! Resumo: passei (ámos) três meses de “férias”(?????) e as coisas não correram bem, antes pelo contrário; uns problemas de saúde (meus) - ainda que bastante graves (Ver abaixo sff) - deram origem a situação pouco feliz - que ainda persiste, mas que felizmente vai melhorando dia a dia. Irei escrevendo quando tiver a cabeça mais arrumada... Além disso no local onde estávamos não havia ligação Internet...


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      1 de Abril - Parece-me que vou melhorando da recaída que tive da depressão bipolar - com ela terei de viver até ao forno crematório, pois é doença incurável. Por prescrição da minha psiquiatra Dr. Alice Nobre (a quem chamo a minha “Santa da Ladeira”) todos os dias tomo as mezinhas para o mal estar estabilizado, o que vem acontecendo.

      Vou pois andando devagarinho (sempre são 75 aninhos...) e um destes dias volto a publicar umas linhas. Aproveito para agradecer a todas/os que me acompanharam nestes momentos menos fáceis, ou seja mais duros, e sobretudo à Grande Mulher, a minha querida Raquel, que me amparou, cuidou de mim, me amou como sempre, enfim teve a paciência de me aturar...


      Da “viagem” de volta tão má ela foi que nem vale a pena contar mas, ressalto que tínhamos pedido assistência ou seja duas cadeiras de rodas, uma para mim e outra para a Raquel: as maleitas dificultavam a nossa mobilidade ou seja andar a pé, apenas registo o pior: vente e nove dias e meio de Dabolim (o aeroporto de Goa) até ao aeroporto General Humberto Delgado, com paragens em tudo que era sítio, incluindo nove horas e meia de espera no aeroporto de Mumbai (antiga Bombaim…), com um frio de rachar pedras pois a malta da Índia adora o ar condicionado próximo do polar…. Estavam previstas cinco horas e meia… Mas havia as ditosas cadeiras…

      A Jet Airways – uma desgraça. Comida - péssima, atendimento - mau, tripulantes de cabina – trombudos. Em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle apenas nos apareceu uma cadeira de rodas porque não havia as suficientes para acorrer aos serviços marcados, remarcados, computorizados. Não foi a primeira vez que ali isso aconteceu, maldita desorganização de uma empresa em “outsoursing” – não havia as desgraçadas cadeiras de rodas à nossa espera. Disseram-me que eram insuficientes porque eram muito caras e o acordo não tinha sido orçamentado…

      Perdi a cabeça, explodi e fartei-me de protestar; enfim veio uma – para mim – e a da Raquel perdera-se (quiçá no nevoeiro qual D. Sebastião…): Logo a minha caríssima esposa teve de palmilhar os “quilómetros” de corredores, etc. E note-se que nos próprios bilhetes estava tudo mencionado, reforçado com as comunicações feitas pela agência de viagens TopTours (impecável) Enfim uma puta de uma viagem; não torno (amos) a cair noutra...


      Qjs & abçs
      Henrique, o Leãozão


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  12. Espero que se encontre bem, meu Amigo.
    Um beijo.

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    1. 31 de Março - Em Goa onde tínhamos programado (o que comuniquei às comentadoras e aos comentadores) passar mais umas belas férias. Afinal infelizmente isso não aconteceu! Resumo: passei (ámos) três meses de “férias”(?????) e as coisas não correram bem, antes pelo contrário; uns problemas de saúde (meus) - ainda que bastante graves (Ver abaixo sff) - deram origem a situação pouco feliz - que ainda persiste, mas que felizmente vai melhorando dia a dia. Irei escrevendo quando tiver a cabeça mais arrumada... Além disso no local onde estávamos não havia ligação Internet...


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      1 de Abril - Parece-me que vou melhorando da recaída que tive da depressão bipolar - com ela terei de viver até ao forno crematório, pois é doença incurável. Por prescrição da minha psiquiatra Dr. Alice Nobre (a quem chamo a minha “Santa da Ladeira”) todos os dias tomo as mezinhas para o mal estar estabilizado, o que vem acontecendo.

      Vou pois andando devagarinho (sempre são 75 aninhos...) e um destes dias volto a publicar umas linhas. Aproveito para agradecer a todas/os que me acompanharam nestes momentos menos fáceis, ou seja mais duros, e sobretudo à Grande Mulher, a minha querida Raquel, que me amparou, cuidou de mim, me amou como sempre, enfim teve a paciência de me aturar...


      Da “viagem” de volta tão má ela foi que nem vale a pena contar mas, ressalto que tínhamos pedido assistência ou seja duas cadeiras de rodas, uma para mim e outra para a Raquel: as maleitas dificultavam a nossa mobilidade ou seja andar a pé, apenas registo o pior: vente e nove dias e meio de Dabolim (o aeroporto de Goa) até ao aeroporto General Humberto Delgado, com paragens em tudo que era sítio, incluindo nove horas e meia de espera no aeroporto de Mumbai (antiga Bombaim…), com um frio de rachar pedras pois a malta da Índia adora o ar condicionado próximo do polar…. Estavam previstas cinco horas e meia… Mas havia as ditosas cadeiras…

      A Jet Airways – uma desgraça. Comida - péssima, atendimento - mau, tripulantes de cabina – trombudos. Em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle apenas nos apareceu uma cadeira de rodas porque não havia as suficientes para acorrer aos serviços marcados, remarcados, computorizados. Não foi a primeira vez que ali isso aconteceu, maldita desorganização de uma empresa em “outsoursing” – não havia as desgraçadas cadeiras de rodas à nossa espera. Disseram-me que eram insuficientes porque eram muito caras e o acordo não tinha sido orçamentado…

      Perdi a cabeça, explodi e fartei-me de protestar; enfim veio uma – para mim – e a da Raquel perdera-se (quiçá no nevoeiro qual D. Sebastião…): Logo a minha caríssima esposa teve de palmilhar os “quilómetros” de corredores, etc. E note-se que nos próprios bilhetes estava tudo mencionado, reforçado com as comunicações feitas pela agência de viagens TopTours (impecável) Enfim uma puta de uma viagem; não torno (amos) a cair noutra...


      Qjs & abçs
      Henrique, o Leãozão


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  13. Que se passa, Henrique? Tanto tempo sem escrever? Espero que esteja tudo bem contigo e família, leaozão.
    Forte abraço.

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    1. 31 de Março - Em Goa onde tínhamos programado (o que comuniquei às comentadoras e aos comentadores) passar mais umas belas férias. Afinal infelizmente isso não aconteceu! Resumo: passei (ámos) três meses de “férias”(?????) e as coisas não correram bem, antes pelo contrário; uns problemas de saúde (meus) - ainda que bastante graves (Ver abaixo sff) - deram origem a situação pouco feliz - que ainda persiste, mas que felizmente vai melhorando dia a dia. Irei escrevendo quando tiver a cabeça mais arrumada... Além disso no local onde estávamos não havia ligação Internet...


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      1 de Abril - Parece-me que vou melhorando da recaída que tive da depressão bipolar - com ela terei de viver até ao forno crematório, pois é doença incurável. Por prescrição da minha psiquiatra Dr. Alice Nobre (a quem chamo a minha “Santa da Ladeira”) todos os dias tomo as mezinhas para o mal estar estabilizado, o que vem acontecendo.

      Vou pois andando devagarinho (sempre são 75 aninhos...) e um destes dias volto a publicar umas linhas. Aproveito para agradecer a todas/os que me acompanharam nestes momentos menos fáceis, ou seja mais duros, e sobretudo à Grande Mulher, a minha querida Raquel, que me amparou, cuidou de mim, me amou como sempre, enfim teve a paciência de me aturar...


      Da “viagem” de volta tão má ela foi que nem vale a pena contar mas, ressalto que tínhamos pedido assistência ou seja duas cadeiras de rodas, uma para mim e outra para a Raquel: as maleitas dificultavam a nossa mobilidade ou seja andar a pé, apenas registo o pior: vente e nove dias e meio de Dabolim (o aeroporto de Goa) até ao aeroporto General Humberto Delgado, com paragens em tudo que era sítio, incluindo nove horas e meia de espera no aeroporto de Mumbai (antiga Bombaim…), com um frio de rachar pedras pois a malta da Índia adora o ar condicionado próximo do polar…. Estavam previstas cinco horas e meia… Mas havia as ditosas cadeiras…

      A Jet Airways – uma desgraça. Comida - péssima, atendimento - mau, tripulantes de cabina – trombudos. Em Paris, no aeroporto Charles de Gaulle apenas nos apareceu uma cadeira de rodas porque não havia as suficientes para acorrer aos serviços marcados, remarcados, computorizados. Não foi a primeira vez que ali isso aconteceu, maldita desorganização de uma empresa em “outsoursing” – não havia as desgraçadas cadeiras de rodas à nossa espera. Disseram-me que eram insuficientes porque eram muito caras e o acordo não tinha sido orçamentado…

      Perdi a cabeça, explodi e fartei-me de protestar; enfim veio uma – para mim – e a da Raquel perdera-se (quiçá no nevoeiro qual D. Sebastião…): Logo a minha caríssima esposa teve de palmilhar os “quilómetros” de corredores, etc. E note-se que nos próprios bilhetes estava tudo mencionado, reforçado com as comunicações feitas pela agência de viagens TopTours (impecável) Enfim uma puta de uma viagem; não torno (amos) a cair noutra...


      Qjs & abçs
      Henrique, o Leãozão


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  14. Henrique espero que melhore...Faz-nos falta! Beijos. Beijinho à Raquel. Muita força.

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    Respostas
    1. Querida Maria do Mundamiga

      Penso que agora vou melhorando pé ante pé... Faço falta? Há quem diga o contrário...

      Bjs da Raquel e qjs do Henrique, o Leãozão

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  15. Uma etapa da vida ... onde tudo é diferente e eu espero caminhar por ela pois ainda tenho 60 anos!
    Cuidei dos meus velhinhos ... minha mãe partiu em 2014 com 85 anos e esteve 4 anos acamada! ... meu pai deixou-nos à meio ano ... com 92 anos!
    Eu ainda no rescaldo da dor e com muita saudade!!!
    Siga com muita paz na sua alma e sempre que quiser...eu estarei por perto!
    Bj

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    Respostas
    1. Querida Gracinhamiga

      Tudo na vida tem o seu fim. A única coisa que temos segura - é a morte... Temos de estar preparados para isso, mas também não convém viver a vida a pensar na morte. Restam-nos as saudades....

      Mito obrigado pelo que me dizes

      Qjs do Henrique o Leãozão

      Eliminar
  16. obrigada pela visita amigo Henrique :)))
    desejo felicidades aos dois, que tenham saúde e alegria para aproveitar o convívio dos filhos, netos e dos amigos!
    deixo votos de uma boa semana

    abraços
    Angela

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  17. Querida Angelamiga

    Ter Amigas (e Amigos) como tu é uma felicidade que não tem preço mesmo usando para a pesar ouro a 18 quilates :-):-)

    Não tens nada que agradecer é sempre muito fixe até lá...

    Os Ferreiras e os etcs agradecem do fundo coração - se é ele tem fundo! :-)

    Retribuo

    Qjs
    Henrique o Leãozão

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  18. Maria do Mundamiga

    Estou mais do que estava que por seu turno estava mais do que anteontem. Enfim: vou estando... :-)))))))))))))

    Obrigadinho é o que desejo.

    Qjs

    Henrique, o Leãozão

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