2016-08-12

Ó Elvas,
ó Elvas,
Badajoz
à vista

Antunes Ferreira

E
mbora já tenha abordado o assunto – ainda que pela rama, numa resposta dada à Janitamiga, comentadora – tenho de voltar-lhe, pois parece-me de algum interesse. Trata-se de algo que me despertou para a realidade triste, mas verdadeira. Por certo que já ouviram falar dele, mas por vezes as pessoas retraem-se convencidas (por elas próprias ou por pressão de outras) e escusam-se de denunciar o que se está a passar no domínio das finanças e da economia entre os dois países ibéricos.

A autoestrada do lá vai um...


P
or isso estou a pensar em mudar-me para Elvas e ali passar a viver; para o Caia não porque é um local quase despovoado onde até uns anos não havia sequer uma ATM. E se calhar ainda não há… Além disso tem uma bomba de gasolina que até mete dó e pode classificar-se como o lá vai um; e se calhar nem esse um lá vai…. O preço é português e logo ao lado é espanhol…Quase como a A6 normalmente deserta, que se dizia ser destinada a trazer espanhóis para Portugal e vice-versa. Um flop. Estou decidido: escolho Elvas. De resto o Paco Bandeira já cantava Ó Elvas, ó Elvas, Badajoz à vista, mas tenho de concluir que não nasci para contrabandista… E que, por obra e graça do acordo de Schengen já não há fronteiras.

A
brevio. Passei por Estremoz onde fica a casa dos meus compadres Pereiras progenitores da minha filha/nora Margarida, ficámos, a Raquel e eu mais eles na boa cavaqueira e depois seguimos para Badajoz. Voltaríamos no dia seguinte pela tardinha, depois de nos alojarmos no Hotel Lisboa, bastante degradado; mas o pessoal dele trata-nos nas palminhas. Jantámos no centro da cidade, uma refeição carota, mas muito saborosa. Que diferença sobre o tempo em que se ia lá para comprar caramelos. É preciso dizer que enquanto Elvas tem 85 mil habitantes, Badajoz já alcançou os 150 mil!
15 minutos entre Elvas e Badajoz

J

á não íamos a Badajoz há uns três ou quaro anos e agora pudemos constatar que naquele restaurante dos oito empregados de mesa, seis eram… lusitanos. À conversa com um deles ficámos a saber que vive em Elvas e bastam quinze minutos para chegar ao trabalho - porque ali há trabalho. Os outros camaradas eram de Rio Maior, Vila Boim, Barbacena e Santa Eulália. “Aqui ganha-se mais do que em Portugal e se um homem não aprovêta está mesmo fodido, desculpe minha Senhora.”

N
a quinta-feira fomos às compras, tendo corrido três hipermercados e um centro comercial. Há doidos para tudo… Lá voltou o espanto: o salário mínimo em Espanha é €655 e em Portugal está nos €530; pois os preços são mais baixos do que no nosso país. Por isso os portugueses que vão comprar coisas a Badajoz são quase metade dos clientes. Não vale a pena compara-los (os preços) pois as diferenças são evidentes. Reina o pague dois leve tês. À saída de um deles (não digo nomes para evitar a publicidade grátis) a caixa tinha um dístico na blusa: Maricarmén.

Rebaptizaram-me...


Q
uando nos ouviu falar imediatamente informou: “também sou portuguesa e chamo-me Maria do Carmo; mas estes filhos da puta – desculpe-me minha senhora - rebaptizaram-me...” Em tom baixo disse-nos que era de Vila Fernando onde o casal de filhos ficava durante o dia com a avó, pois o marido era mecânico de automóveis no bairro de Valdepasillas, numa oficina de Seats. E acrescentou quase num sussurro que ali ganhava-se muito melhor do que no nosso país. Disfarçou, pois passava o gerente.
F iquei a pensar em Olivença/Olivenza com os seus brasões portuguesas e com os velhos a falar um portunhol ressabiado. “Temos que volver a nuestra Pátria que não es Espanha es Portugal”. Sendo ou não sendo são águas passadas, porém aqui não há muitos portugueses de visita. Não há hipermercados, nem sequer supermercados. Donde não há compras. Por isso só um saudosismo espúrio leva até lá os turistas lusitanos. Que me perdoem os membros dos Amigos de Olivença

Que diferença!!!

A
ntes de voltar à santa terrinha ainda fui atestar o depósito do meu Hyundai numa bomba pertencente a uma grande superfície. O litro é de €1,12; aí sim, com o recibo das compras há um desconto e assim fica a €1,09; em Portugal é de €1,44 e com desconto máximo ficamo-nos nos €1,29. E embora se continue a dizer que “de Espanha nem bom vento, nem bom casamento” mantenho-me na minha: penso que vou mesmo morar em Elvas…


8 comentários:

  1. Se mi querido Jefamigo quiere tranquilidad, la opción es la mas correcta...Elvas, para los españoles, es la tierra de las toallas, del bronce y del café Camello...para mí, es la entrada a mi nación, soy feliz cuando entro en Elvas desde Badajoz, eso si, con el depósito bien lleno para poder llegar a Lisboa y volver sin tener que ser voluntariamente robado en las gasolineras lusas....entre lo caro que es y lo que roban (digo cobran) de peaje, me sale igual de precio los 407 kms desde Madrid a Caía, que los 240 desde Caía a Lisboa...
    Cuando hablamos de salarios mínimos, hay una diferencia muy importante que quiero comentar. En Portugal, son muchísimos los trabajadores que cobran el salario minimo, sin embargo en Españaquistan, no conozco ni sólo un currante que cobre ese salario mínimo interprofesional...en mi empresa, por ejemplo, un trabajador sin calificar, con tan solo carne de conducir, saber leer y escribir, el sueldo inicial son 914,72€ + Comisión (unos 250€ de media)
    Y a los 6 meses, sube a 1.009,93€ y en cada 4 años una subida del 5%...ahh y esto en 15,5 pagas!
    Por todo esto y aún deseando mucho, no puedo volver a mi tierra, al menos hasta mi jubilación y para ello me quedan unos 15 años!
    Sinceramente, no soy capaz de entender como se puede vivir con un sueldo tan nefasto en un país donde sólo él café es más barato!
    Un saludo al
    Nobre povo da nação Valente e inmortal!

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  2. Peço desculpa por escrever em espanhol mas por culpa dos 25 anos fora de Portugal e o desconhecimento absoluto do acordo ortográfico, cometo muitos erros.

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  3. Já hoje a Graça tinha abordado um tema semelhante, FererirAmigo.
    Mas na perspectiva das auto-estradas/vias rápidas.
    Pois, é triste...
    Aquele abraço

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  4. Um abre olhos para os briosos lusitanos.
    Mas, como o pessoal é maioritariamente rastejante, desde tempos ancestrais, não aspira a outra condição que não seja a de migrante/emigrante. Assim continuará. Não há nenhum problema de natalidade, como se ouve dizer aos malabaristas avençados do costume. O problema está no despovoamento do rectângulo, Já no tempo das índias e brazis assim era: partem os melhores, os mais válidos, e os oportunistas e ladrões permanecem por cá.
    O povo continua pacientemente, pachorrentamente, com muita fé, à espera do milagre: Nossa Senhora de Fátima, lotaria, totobola, totoloto, euromilhões, raspadinha...

    Abraço.

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  5. Amigo Henrique
    Já a minha sogra ía, uma vez por semana, fazer compras a Espanha.Eu sigo-lhe as pisadas. Aqui do Norte, vale a pena ir a Vigo:até a fruta é mais barata.OIsto sem falar em atestar o depósito, almoçar bem e comprar roupas para as crianças...A enumeração não teria fim.
    Gostei do teu texto, que reflecte a triste(nossa) realidade .
    Um abraço
    Beatriz

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  6. Amigo Leãozinho, depois de ler o seu texto e refletir sobre seus argumentos, também estou pensando em morar em Elvas... Belo texto, boa noite e beijo.

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